RedeZ NeuraiZ #1


Neuraventura - 16

Neurohacking

RedeZ NeuraiZ #1

Chego ao laboratório. Está vazio. Já estiveram aqui, buscando o que achavam que seria importante. Muita gente pensa que eu sou apenas um estagiário do Gustavo. Ele prefere que seja assim e eu não me importo. Até porque a maioria das pessoas não entenderia o que faço. Faz cinco anos que estou atuando aqui no laboratório. Estudo bioengenharia, mas a parte que realmente me interessa é chamada por alguns de neuroengenharia, ou – como eu e outros preferimos – neurohacking. Isso é, um hacker do corpo humano, mais especificamente do cérebro humano e do sistema nervoso como um todo. Na verdade, vai muito além disso, pois exige o domínio de muita tecnologia e o uso de muito conhecimento para manipular ou interferir na estrutura e funcionamento dos neurônios.

Tem aqueles que usam isso de uma forma saudável, melhorando ou reparando circuitos, mas tem também aqueles que usam de uma forma ruim, manipulando as pessoas e controlando, roubando informação e induzindo comportamentos. Nós fazemos parte do primeiro time e nossos inimigos do segundo. Sim, estou prestes a roubar informações do cérebro de uma pessoa, mas considero o motivo justo. Quero descobrir o que aconteceu com a Nora, o que a levou a ter morte cerebral.

Há uma guerra em andamento. Grandes corporações empresariais descobriram que a bioengenharia poderia ser usada para controlar a humanidade e ganhar mais do que dinheiro, ou seja, acumular poder. Para isso, eles desenvolveram uma série de robôs em escala nano que interferem no sistema nervoso. Nós estamos todos contaminados por esses nanorobôs. Estamos sendo vigiados, controlados, mas há algumas exceções. Diferente das máquinas, nós conseguimos evoluir sozinhos, ou melhor, nós nos ajustamos e uma mutação pode representar a diferença entre sobreviver ou não, como o bom e velho Darwin nos ensinou. Algumas pessoas como eu são imunes aos nanorobôs (que costumamos chamar de ‘nanitas’). Ainda não sabemos por quê. Outros, como a maioria da resistência, desenvolveram sistemas de contra-ataque tecnológicos que bloqueiam a ação dos nanitas inimigos por simulação bioquímica.

Há, entretanto, uma história anterior que me levou a escolher essa carreira e que me trouxe a este exato momento.

 

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(narrado pelo personagem Alex Albuquerque – @alexalbuquerqu8)

(Autores: Bianca de Castro Oliveira e Glaucio Aranha)