set 04 2014

Simpósio Internacional de Neurociência da Grande Dourados está com inscrições abertas

cartAZSimpósio Internacional de Neurociência da Grande Dourados está com inscrições abertas

Evento já consolidado no calendário científico de Mato Grosso do Sul, o II Simpósio Internacional de Neurociência da Grande Dourados está com inscrições abertas para quem tiver interesse em participar das palestras, workshops e minicursos e também para quem pretende submeter trabalhos, que serão expostos durante a programação, que vai de 25 a 27 de setembro.

O Simpósio, que está em seu segundo ano como evento internacional e é organizado pela Faculdade de Ciências da Saúde (FCS) da UFGD, já acontece desde 2010, e nas últimas edições tem feito parcerias de renome com profissionais brasileiros e estrangeiros da área da neurociência. O objetivo é abordar uma ampla gama de temas e oferecer conteúdos voltados não apenas a estudantes, pesquisadores e profissionais da Medicina, mas também de Enfermagem, Psicologia, Educação, Fonoaudiologia, Terapia Educacional, Fisioterapia, Farmácia, entre outros.

As inscrições antecipadas devem ser feitas on-line no endereço http://www.simposioneurodourados.com, no valor de R$ 80 para estudantes de graduação e de R$ 160 para profissionais e estudantes de pós-graduação. Nos dias do evento, os interessados poderão se inscrever no local a R$ 100 e R$ 200, para estudantes de graduação e profissionais e alunos de pós-graduação, respectivamente.

Nesta edição, o Simpósio receberá convidados de diversas instituições brasileiras como Universidade de São Paulo, Universidade Federal de São Paulo, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade de Brasília e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, além de palestrantes da Finlândia e dos Estados Unidos.

Os destaques de 2014 ficam por conta da vinda dos professores Erkki Tarpio Isometsä, da Universidade de Helsinki, na Finlândia, que vai abordar o tema suicídio; Keith A. Siller, da Universidade de Nova York, que vai falar sobre os novos destaques no tratamento de AVC; e Ronald Ellis, da Universidade da Califórnia, em San Diego, que desenvolve pesquisas na área de HIV.

A programação completa, assim como informações sobre alojamento, hotéis, inscrições e submissão de trabalhos estão no site http://www.simposioneurodourados.com. Lá, os interessados ainda podem conferir como foram as edições passadas e acessar a galeria de fotos dos eventos anteriores.

Serviço: o II Simpósio Internacional de Neurociência da Grande Dourados acontece de 25 a 27 de setembro, no auditório central da Unidade 2 da UFGD (Rodovia Dourados – Itahum, km 12 – Cidade Universitária) e no bloco da FCS.

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ago 28 2014

Ramón y Cajal além do sistema nervoso – por Stefânia Forner

O trabalho e a contribuição científica de Santiago Ramón y Cajal são indiscutíveis. Nascido em 1852 em Petilla de Aragón na Espanha e formado em Medicina em Madrid em 1883, foi um anatomista genial e formulou a doutrina do neurônio, que deu base ao pensamento moderno do sistema nervoso. Escreveu e desenvolveu diversos trabalhos na área de histologia, sendo que seu trabalho mais famoso é o “Manual de Histología normal y Técnica micrográfica” de 1889. Escreveu mais de 100 artigos em espanhol e francês descrevendo de maneira fenomenal as estruturas do sistema nervoso, especialmente cérebro e medula. Santiago dividiu o Prêmio Nobel com Camillo Golgi em 1906 pelo trabalho da estrutura do sistema nervoso.

 

neuronio no hipocampo - cajal PurkinjeCell

No entanto, hoje escrevo sobre um livro menos conhecido de Santiago, chamado “Advice for a Young Investigator” (Conselhos para um jovem pesquisador – tradução livre, não traduzido para o português).  É um pequeno compêndio do discurso que Cajal realizou na Academia de Ciências Exatas, Físicas e Naturais em 1897 na Espanha.

O livro é daqueles que você senta em uma tarde e lê sem parar, mas uma leitura demorada nos leva a compreender melhor e assimilar as ideias de Cajal. Algumas ideias, como já diz na introdução, talvez não façam mais sentido na era científica que vivemos, mas a grande maioria ainda é bem pertinente.

 

 

 

(Figuras: Neurônios do hipocampo (esquerda) e células de Purkinje (direita) desenhados por Santiago Ramón y Cajal)

          Santiago nos leva a um passeio com seus conselhos de como devemos duvidar de tudo, como devemos ver problemas de diversos ângulos e inclusive demonstra dicas de bancada experimental. Há um capítulo voltado apenas para as qualidades intelectuais que o indivíduo que quer seguir a carreira científica deveria ter que incluem, obviamente, a curiosidade e perseverança. Ramón y Cajal ainda dedica um capítulo para métodos científicos denominado “Stages of Scientific Research” (Etapas da pesquisa científica) e ele dá conselhos precisos de como o cientista sempre deve ver seu experimento como se fosse a primeira vez e como deve-se instigar a curiosidade continuamente no jovem pesquisador, questioná-lo sem fim. Mas Ramón y Cajal demonstra que o jovem cientista deve direcionar as intensidades de sua emoção para sua pesquisa.  No entanto, uma frase que ficou em minha memória durante muito tempo após ler o livro foi a seguinte:

 

O pesquisador deve sempre lembrar que novos fatos não são descobertos pelas pessoas que primeiramente os observa. Eles são descobertos pelas pessoas que possuem uma técnica excelente e são capazes de estabelecer com aquela um amplo grau de evidência e, consequentemente, convencer a todos sobre a descoberta.”

(“One must bear in mind that new facts are not discovered by the one who first observes them. They are discovered by the one who uses an excellent technique and is able to establish them with a full range of evidence, and in so doing convincing everyone”.)  

 

Ramón y Cajal encerra seu livro com um capítulo voltado para o pesquisador como professor e como este deve conduzir sua nova carreira. Santiago foi um gênio de diversas maneiras, sem dúvida, e seus conselhos, apesar de serem do século XIX, ainda nos fazem repensar sobre como devemos assumir posições científicas em pleno século XXI.

 

cajal cajal 1 livro cajal

Sugestões de leitura

 

O livro está disponível em formato PDF.

http://image.sciencenet.cn/olddata/kexue.com.cn/upload/blog/file/2010/8/2010823145519611330.pdf

 

Instituto Santiago Ramón y Cajal

http://www.cajal.csic.es

 

Biografia

http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1906/cajal-bio.html

 

stefania forner fotoStefânia Forner – Farmacêutica, Mestre e Doutoranda em Farmacologia/UFSC

(Doutorado sanduíche na University of Toronto)

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ago 22 2014

UNI DUNI TÊ, ME ENSINA A BRINCAR E EU BRINCO COM VOCÊ: DISTÚRBIOS DO ESPECTRO AUTISTA- Mylena Lima Ribeiro

Extraído do livro APRENDIZAGEM, COMPORTAMENTO E EMOÇÕES NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA: UMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR-Organização: Elisabete Castelon Konkiewitz-editora UFGD, Dourados, 2013. O livro pode ser baixado em pdf gratuitamente:www.ufgd.edu.br

Começou assim mesmo, por frustração. O fotógrafo Timothy Archibald não via fim ao desespero por seu filho, Eli, ser autista, até que encontrou uma forma de sentir “que estava fazendo alguma coisa” por ele – uma série fotográfica íntima e genuína, captando a sua essência. Intitulada de Echolilia: Sometimes I Wonder, a série foi a forma encontrada por Archibald pra retratar Eli exatamente como ele é, ao contrário do que fazem muitos pais, clicando os filhos sempre sorridentes ou em situações graciosas. Segundo o fotógrafo, nenhuma das imagens foi planejada e todas foram captadas no momento, visto que Eli rapidamente se cansa do que está fazendo, procurando outra ocupação em minutos. Hoje o pai não se preocupa tanto com o diagnóstico ou com o peso da palavra autismo. Ele está somente focado no que realmente importa: a relação entre os dois. Entre no blog: http://www.timothyarchibald.com/blog/

Começou assim mesmo, por frustração. O fotógrafo Timothy Archibald não via fim ao desespero por seu filho, Eli, ser autista, até que encontrou uma forma de sentir “que estava fazendo alguma coisa” por ele – uma série fotográfica íntima e genuína, captando a sua essência.
Intitulada de Echolilia: Sometimes I Wonder, a série foi a forma encontrada por Archibald pra retratar Eli exatamente como ele é, ao contrário do que fazem muitos pais, clicando os filhos sempre sorridentes ou em situações graciosas. Segundo o fotógrafo, nenhuma das imagens foi planejada e todas foram captadas no momento, visto que Eli rapidamente se cansa do que está fazendo, procurando outra ocupação em minutos.
Hoje o pai não se preocupa tanto com o diagnóstico ou com o peso da palavra autismo. Ele está somente focado no que realmente importa: a relação entre os dois. Entre no blog: http://www.timothyarchibald.com/blog/

 

 

“Você poderia, por favor, me dizer qual o caminho que devo seguir?” “Isso depende em boa parte de onde você quer chegar”, disse o Gato Risonho. “Eu não ligo onde…”, disse Alice. “Então não importa saber que caminho você deve tomar”, disse o Gato”, “…desde que eu chegue em ALGUM LUGAR,” Alice adicionou a sua explicação. “Oh, você com certeza fará isso,” disse o Gato, “mas apenas se você caminhar o suficiente.” (Lewis Carrol)
Célia há pouco recebeu um telefonema de sua irmã e mal pode conter sua alegria quando soube que ela estava a caminho de sua casa. As irmãs não se encontram há mais de dois anos e esta seria a primeira oportunidade de Célia ver sua pequena sobrinha Fernanda que mal completou 5 meses. Célia também ficou apreensiva ao pensar na reação que Pedro teria ao ver o bebê. Pedro tem 7 anos, recebeu o diagnóstico de autismo aos 5 anos de idade e mostra uma forte reação emocional ao ouvir o choro de bebês. Dito e feito, assim que as visitas chegaram Pedro jogou-se no chão, deitando-se de costas, gritando e chutando a parede com força. O bebê agitou-se com o barulho e chorou. Pedro ficou furioso e atirou um objeto em direção às visitas. Célia respirou fundo e disse a sua irmã que ficasse à vontade enquanto ela cuidava de acalmar Pedro. Aproximou-se do filho e mesmo sob os protestos do menino, envolveu-o em seus braços, sumindo casa adentro e ficando ausente da sala de visitas por quase meia hora.

INTRODUÇÃO

É muito comum encontrar crianças que parecem muito tímidas, medrosas ou que se recusam a seguir uma instrução simples, como aquelas que fazem uma grande “pirraça” ao ouvirem um “não pode!”. Talvez você já tenha tido a oportunidade de observar crianças brincando na pracinha e notou que elas mostram comportamentos e interesses diferentes umas das outras. Diferenças no ritmo do desenvolvimento é normal entre crianças de mesma idade1,2. No entanto, indícios de atraso no desenvolvimento devem ser motivo para uma avaliação cuidadosa quando a supervisão requerida pela criança continua intensiva a medida que o tempo passa. Sinais de atraso no desenvolvimento são notados quando a criança parece não aprender habilidades típicas de sua fase de desenvolvimento, e a rotina de cuidados torna- -se exaustiva para a família. Nesse caso, o diagnóstico de distúrbios do espectro autismo precisa ser considerado.
Crianças com autismo mostram déficits na comunicação, interação social e falta de interesse em brincadeiras3,4. Pais e educadores precisam ficar atentos às diversas formas de manifestação do autismo e insistir para que uma completa avaliação seja realizada por um profissional especializado, a fim de que o diagnóstico de autismo seja excluído ou confirmado. Nunca é cedo demais para iniciar a busca por ajuda, e pais não devem seguir recomendações do tipo “espere um pouco para ver se as coisas melhoram”.
Neste capítulo, serão discutidos a definição e o critério diagnóstico do transtorno do espectro autismo, a frequência com que ocorre dentro de uma população, os cuidados requeridos para a escolha do tratamento adequado e a abordagem científica para o tratamento do autismo, segundo a abordagem analítico-comportamental.

foto de TimothyArchibald

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Aspectos históricos, conceituação e formas de tratamento

O autismo caracteriza-se por uma alteração no curso do desenvolvimento infantil em que se observam déficits no uso funcional da linguagem, no funcionamento social e adaptativo e no comportamento de brincar5,6. Além disso, é comum a ocorrência de problemas de comportamento que dificultam a inclusão do indivíduo na família e na comunidade. O diagnóstico precoce pode ser feito por volta dos 18 meses de idade e acompanha o indivíduo por toda a vida. De modo geral, os pais tornam-se intrigados com o atraso no desenvolvimento da linguagem, seguidos por atraso no desenvolvimento social da criança. Muitos pais levam suas dúvidas ao conhecimento do pediatra e outros especialistas, mas nem sempre o diagnóstico é feito rapidamente. A maioria das crianças não é diagnosticada antes dos quatro ou cinco anos de idade. Apesar de as causas do autismo serem ainda hoje desconhecidas, a identificação precoce é fundamental para o início ao tratamento o mais cedo possível. A criança com autismo exibe comportamentos muito discrepantes daqueles tipicamente observados em crianças da mesma idade. Sob essa perspectiva, é importante a divulgação dos principais marcos do desenvolvimento social e emocional da criança como forma de alertar pais, profissionais da saúde e educadores para os sinais de autismo1,7,8.
A pesquisa científica tem demonstrado que as causas do autismo estão diretamente relacionadas às bases biológicas do comportamento, e descobertas recentes no âmbito da genética sugerem resultados animadores para compreensão do autismo9. O autismo foi descrito pela primeira vez na década de 1940, mas apenas na década de 1970, os primeiros estudos baseados em evidência científica foram divulgados10,11,12. Uma das mais populares e controversas explicações para o autismo foi elaborada por Bruno Bettelheim em 1967 e ficou popularmente conhecida como a “teoria da mãe geladeira”. Bettelheim tornou-se mundialmente conhecido como o proponente da controversa teoria, após a publicação do livro com perspectiva psicanalítica intitulado “The Empty Fortness: infantile autism and the birth of the self”13. O pressuposto da teoria de Bettelheim reside na hipótese de que o autismo seria desencadeado pela frieza emocional da mãe. Isto é, seria resultado da recusa da mãe em estabelecer um vínculo afetivo apropriado com a criança. O que, hoje em dia, é considerado um grande equívoco na conceituação do autismo, teve um papel fundamental na formação da opinião pública durante a década de 1960 e 1970. O impacto negativo das ideias de Bettelheim afetou inúmeras famílias ao redor do mundo. Durante anos, as mães de crianças diagnosticadas com autismo sofreram com a discriminação, a culpa e a vergonha de “terem falhado” ou “por não terem sido capazes de amar seus filhos”.

foto de TimothyArchibald

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Na atualidade, o acesso a informação continua sendo um enorme problema que afeta, principalmente, a decisão dos pais na escolha do tratamento adequado3,6. A busca por informação inicia-se logo após a criança ser diagnosticada e, ainda sob o choque emocional do diagnóstico, a família vai se deparar com uma infindável lista de opções para o tratamento que pode incluir diferentes tipos de medicamento, tratamento a base de vitaminas, dietas, musicoterapia, ludo terapia, terapia de integração sensorial, terapia com golfinhos, terapia ocupacional, hyperbaric oxygen therapy for autism, relationship developent intervention etc. Algumas abordagens terapêuticas prometem resultados rápidos, outras prometem resultados definitivos, e a maior parte delas requer um alto investimento financeiro6. O fato é que essas terapias estão baseadas em uma variedade de crenças acerca do autismo e dos problemas do desenvolvimento, e seus proponentes não parecem preocupados em fornecer evidência científica que possa validar a eficácia do tratamento. Por outro lado, a urgência em iniciar o tratamento da criança requer da família a completa revisão de seu sistema de valores culturais e das convicções acerca de como educar filhos, o que torna a adesão ao tratamento um processo extremamente difícil e complexo.
Muitos pais acreditam que tentar diferentes abordagens é a melhor estratégia para estabilizar a convivência familiar. Entretanto, intervenções que não estão baseadas em evidência científica nem sempre podem ser consideradas uma forma inocente e bem intencionada de ajuda. Estudos evidenciam que, no melhor cenário possível, esse tipo de intervenção não trará benefício algum para a criança14.
Pesquisadores compararam os efeitos de três abordagens terapêuticas em crianças com autismo em idade pré-escolar. Nesse estudo, 29 crianças receberam intervenção analítico comportamental intensiva, isto é, participaram entre 25 a 40 horas semanais de situações de ensino em que um terapeuta e uma única criança trabalharam juntos (razão 1:1). Um grupo comparação com 16 crianças recebeu intervenção terapêutica intensiva do tipo “eclética”, envolvendo diferentes tipos de técnicas de ensino em uma combinação dos métodos, isto é, razão 1:1 e 1:2 por 30 horas semanais e em classes de educação especial. Um segundo grupo comparação, formado por 16 crianças, recebeu intervenção precoce não intensiva com uma combinação dos métodos de ensino por 15 horas semanais. As crianças foram examinadas por meio de testes padronizados para a avaliação cognitiva, de linguagem e de habilidades adaptativas antes do início do tratamento e 14 meses após o início do tratamento. Os resultados dos testes de seguimento mostraram os efeitos do tratamento em termos do ganho de aprendizagem. O grupo de crianças que recebeu intervenção analítico comportamental teve ganhos de aprendizagem significativamente superior aos ganhos obtidos por crianças dos outros dois grupos, e os pesquisadores concluíram que os métodos de ensino baseados na análise do comportamento são mais eficazes que as intervenções “ecléticas”14.
Pais, educadores, psicólogos e outros profissionais que trabalham para encontrar uma solução para o tratamento do autismo estão cientes de que a compreensão do distúrbio do autismo ainda está em desenvolvimento, e que o esforço deve concentrar-se em possibilitar às pessoas com autismo a melhor qualidade de vida possível. Não existem atalhos possíveis, o tratamento do autismo requer grande persistência e trabalho árduo. Uma vez que cada indivíduo tem necessidades muito específicas, o tratamento precisa ser individualizado e requer uma avaliação completa das habilidades, déficits no repertório comportamental do indivíduo, bem como a compreensão dos excessos comportamentais4,15,16.

foto de TimothyArchibald

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Prevalência

A frequência com que o autismo ocorre é assunto de grande interesse entre agências governamentais e de pesquisa em países como Estados Unidos e Canadá. Nesses países, o autismo já é reconhecido como o mais frequente distúrbio neurológico afetando crianças pequenas e escolares. Estudos recentes informam que a prevalência dos distúrbios do espectro autismo está em torno de 1 em 150 crianças nos países norte-americanos. No Canadá, pesquisadores estão intrigados com o aumento na prevalência de casos de autismo e buscaram verificar se esse aumento relaciona-se à mudança na metodologia de classificação por agências de saúde e de educação17,18. A análise das práticas de identificação da prevalência do autismo considerou os efeitos da identificação precoce e da inclusão de casos não detectados anteriormente na estimativa de prevalência19. A proporção de crianças com diagnóstico dos distúrbios do autismo aumentou nas últimas duas décadas e não existe consenso sobre as condições subjacentes ao crescimento da prevalência. No entanto, o crescimento na demanda por tratamento e o aumento significativo no número de casos fez com que o autismo se tornasse uma questão de saúde pública. Um recente estudo epidemiológico comparou a ocorrência do autismo entre gêneros, origem cultural, risco de incidência entre irmãos e idade do início do tratamento na população de duas diferentes regiões no Canadá. Os achados desse estudo são considerados uma linha de base para o monitoramento da prevalência do autismo sob as condições estudadas e fornece relevante informação para a pesquisa e para o planejamento de políticas públicas e da oferta de serviços públicos20.

foto de TimothyArchibald

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Critérios para o diagnóstico

O diagnóstico diferencial dos distúrbios do espectro autismo requer a avaliação das habilidades adaptativas, de linguagem e cognitivas da criança, e deve ser realizado por uma equipe de profissionais da medicina e psicólogos especializados . A realização do diagnóstico requer sólido conhecimento do desenvolvimento infantil típico da aprendizagem humana, bem como das características do distúrbio do autismo1,2,7.
Segundo o DSM-IV-TR22, as diversas formas de manifestação do autismo caracterizam-se pela ocorrência de déficits em pelo menos duas das áreas do desenvolvimento, a saber: a) interação social; b) comunicação; e c) déficits no repertório do comportamento de brincar. Pais e profissionais devem estar alertas para identificar os sinais de atrasos no desenvolvimento da interação social, os quais podem ser observados em déficits em comportamentos não verbais, incluindo contato visual, expressões faciais, gestos e postura corporal; em déficits no estabelecimento de interações sociais com outras crianças; na falta de interesse em compartilhar experiências agradáveis, interesses e realizações de outras pessoas, como por exemplo, trazendo ou apontando objetos; e na falta de reciprocidade social e emocional, notados, por exemplo, pelo desinteresse em participar de brincadeiras simples como “esconde-esconde” e outros jogos que requerem interação com outra pessoa.
Os déficits na comunicação são observados em casos nos quais ocorre atraso ou ausência da fala, ou ainda o uso de outras estratégias de comunicação como gestos e imitação do comportamento de outras pessoas. Algumas crianças podem apresentar desenvolvimento adequado da fala, mas exibirem déficits no uso adequado do discurso e na interação social. Por exemplo, a criança mostra dificuldade em iniciar e manter o diálogo com outra pessoa. Além disso, é comum a ocorrência de padrões estereotipados de linguagem, como por exemplo, repetir a mesma frase após ter assistido um programa de TV e ocorrência de linguagem idiossincrática, isto é, um jeito de falar difícil de entender por pessoas que não fazem parte do convívio familiar.
Uma manifestação característica no distúrbio do espectro autismo é a falta de interesse da criança em brincadeiras de faz de conta e imitação de comportamentos. No curso de desenvolvimento típico, muito cedo se observa o interesse dos bebês em observar e imitar o comportamento de outra pessoa1,2,23. Por exemplo, crianças pequenas respondem com riso quando puxamos e empurramos seu corpo e cantamos “rema-rema-remador…” e tendem a repetir o movimento como modo de pedir para brincar mais. Imitar comportamentos e divertir-se fazendo isso é uma habilidade que precisa ser diretamente ensinada a crianças com autismo. Dois principais aspectos podem ser mencionados ao se considerar a importância de ensinar indivíduos a imitar e a brincar. O primeiro é a grande variedade de comportamentos que podem ser aprendidos por imitação e que funcionam como pré-requisitos para a aprendizagem de comportamentos mais complexos. O segundo é a importância de possibilitar à criança oportunidades para vivenciar o processo inclusão social que se estabelece por meio do comportamento de brincar.
Indivíduos com distúrbio do autismo, geralmente, apresentam grande dificuldade de se adaptar a mudanças no ambiente e alterações na rotina. Comportamentos que ocorrem em excesso precisam ser modificados, dado ao risco de se tornarem um obstáculo para a aprendizagem de novas habilidades24,25. Os problemas do comportamento podem ser observados em padrões estereotipados de comportamentos e interesses como quando ocorre extrema preocupação com um tipo de arranjo ambiental. Algumas crianças desenvolvem interesse restrito a assunto ou tópico. Por exemplo, ver, ler e colecionar livros sobre animais que vivem na África. Além disso, é comum a ocorrência de padrões estereotipados e repetitivos de movimentos, tais como girar o pulso repetidamente, agitar uma embalagem vazia, olhar fixamente para os dedos com os cantos dos olhos e outros padrões complexos de movimentos.

foto de TimothyArchibald

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Tratamento

O tratamento eficaz para a criança com autismo deve enfatizar o ensino de habilidades básicas que ajudam a criança a aprender outras habilidades de maior complexidade. Senão vejamos, se a criança apresenta dificuldade em compreender uma instrução simples é muito improvável que o uso dessa tática de ensino seja eficaz para promover a aprendizagem. Nesse caso, precisamos ensinar a criança a seguir instruções antes de esperar que ela seja capaz de seguir instruções no seu dia a dia5,7.
Há quarenta anos a pesquisa em Análise Aplicada do Comportamento estava dando seus primeiros passos26,27, mas, nos dias de hoje, é possível utilizar a tecnologia comportamental para planejamento e programação do tratamento de crianças com autismo21,28. O objetivo do tratamento de base analítico comportamental é ensinar habilidades básicas e complexas que permitirão à criança alcançar o maior nível de independência possível. Uma vez que não se pode antecipar o potencial de uma criança, é preciso avaliar continuamente seu progresso para planejar a programação de ensino adequada ao seu nível atual de funcionamento. Crianças que mostram facilidade em aprender linguagem e aprendem novas habilidades rapidamente, geralmente aprendem habilidades complexas, tais como habilidades acadêmicas esperadas para sua série escolar. No entanto, a aprendizagem das habilidades sociais e a regulação emocional constituem um dos maiores desafios enfrentados por indivíduos com autismo16. Mesmo aquelas crianças e adolescentes que mostram um bom funcionamento na escola enfrentam inúmeras dificuldades na interação social com outros estudantes. Essas crianças, apesar de acompanharem a rotina de atividades da escola e serem bem sucedidas academicamente, geralmente não conseguem compreender aspectos da interação social que está em curso, ficando muitas vezes excluídas do grupo de brincadeiras e dos jogos infantis ou de adolescentes. Indivíduos com autismo mostram dificuldade em compreender a perspectiva de outra pessoa, em especial, quando diferem do seu próprio ponto de vista. Em resumo, componentes específicos do tratamento irão variar dependendo das necessidades do indivíduo6.

foto de TimothyArchibald

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A terapia de base analítico-comportamental está baseada em princípios de aprendizagem humana e potencializa a capacidade da criança de aprender em contextos, cuidadosamente delineados para o avanço gradual do ensino. O tratamento é intensivo, sendo recomendado que a criança participe de uma rotina de tratamento com duração entre 30 a 40 horas semanais e é individualizado, isto é, a maior parte do ensino é conduzida em uma razão 1:1, ou seja, uma única criança recebe assistência e supervisão de um instrutor. O terapeuta acompanha a criança durante suas atividades diárias, seja em casa, na escola e/ou na comunidade. Todas as habilidades essenciais para o funcionamento independente são diretamente ensinadas, incluindo habilidades de autocuidado, habilidades sociais, linguagem, habilidades acadêmicas e autorregulação emocional5,6.
A avaliação dos efeitos do tratamento com base analítico comportamental é realizada por meio do exame do progresso da criança. O monitoramento é feito a partir dos dados coletados diariamente, durante a observação direta do desempenho da criança nas situações de ensino25. Um aspecto importante do tratamento é o ensino em generalização. Crianças com autismo mostram dificuldade em transferir habilidades aprendidas em uma situação de ensino particular para outros contextos. Desse modo, é muito importante identificar as habilidades que a criança precisa aprender para desempenhar em diferentes contextos e promover oportunidades para que a criança pratique o comportamento apropriado nesses contextos. Assim, é possível verificar quais aspectos do desempenho ainda precisam ser ensinados para que criança mostre um funcionamento independente29.
Uma importante característica da proposta analítico-comportamental para o tratamento do autismo é a ênfase no treinamento de pais e educadores para atuar como terapeutas sob a supervisão de um analista do comportamento com reconhecida competência para o tratamento do autismo. Esse é um aspecto fundamental do tratamento, pois os membros da equipe terapêutica são responsáveis por suplementar o trabalho dos profissionais, trabalhando para favorecer a transferência dos ganhos da sessão de tratamento para o dia a dia. A pesquisa recente tem demonstrado a eficácia de métodos de treinamento de pais e educadores para aplicação da tecnologia comportamental em programas de curta duração30,31. De modo geral, o treinamento de pais e educadores enfatiza as habilidades requeridas para o ensino da programação individualizada que constitui os objetivos de tratamento da criança e ocorre por meio de uma sequência de tarefas que inclui a leitura de material escrito para o treino de habilidades específicas, a observação de vídeos que demonstram como realizar o ensino, a realização de testes escritos e a prática seguida de feedback pelo especialista na área.

foto de TimothyArchibald

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

No tratamento do autismo, o progresso de cada criança relaciona-se a diferentes aspectos do funcionamento adaptativo e cognitivo da criança, do tipo de metodologia de ensino utilizada, da precocidade e da duração do tratamento. O autismo é uma relevante questão de saúde pública e requer um investimento substancial em recursos para produção de conhecimento e para a viabilização do tratamento. Ao se considerar a dimensão da tarefa e sua relevância social, pode-se concluir que o tratamento do autismo deve ser considerado uma responsabilidade de toda a sociedade. Apenas um amplo consenso social tornará possível assegurar às crianças com distúrbio do espectro autismo o acesso ao diagnóstico e tratamento adequado às suas necessidades, por meio da produção de conhecimento, da capacitação de profissionais e do desenvolvimento de políticas públicas de saúde e de educação.

 

Mylena Lima Ribeiro– Analista do comportamento, mestre em Teoria e Pesquisa do Comportamento pela Universidade Federal do Pará, doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo, Behaviour Analyst at Behaviour Analyst Autism Consultation Service (BAACS) at St. Amant Centre, Winnipeg, Província de Manitoba, Canadá.

 

APRENDIZAGEM, COMPORTAMENTO E EMOÇÕES NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA: UMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR-Organização: Elisabete Castelon Konkiewitz-editora UFGD, Dourados, 2013. O livro pode ser baixado em pdf gratuitamente:www.ufgd.edu.br
REFERÊNCIAS
1. BIJOU, S. W. Behaviour analysis of child development. Reno, NV: Context Press, 1995.
2. CATANIA, C. Learning. Upper Saddle River. NJ: Prentice Hall, Inc. 1998. (Trabalho original publicado em 1979).

3. MAURICE, C. Let me hear your voice. A family’s triumph over autism. New York: Knopf, 1993.

4. HARRIS, S. L.; WEISS, M. J. Right from the start. Behavioral intervention for young children with autism. Bethesda, MD: Woodbine House, 1998.

5. LEAF, R.; McEACHIN, J. (Eds.). A work in progress: behavioural management strategies and a curriculum for intensive behavioural treatment of autism. New York, NY: DRL Books, 1999.

6. MAURICE, C.; GREEN, G.; LUCE, S. C. (Eds.). Behavioural intervention for Young children with autism: a manual for parents and professionals. Austin, Texas: PROED, 1996.

7. SKINNER, B. F. Science and Human behavior. New York: Macmillan, 1965. (Trabalho original publicado em 1953).

8. SKINNER, B. F. The technology of teaching. New York, NY: Applenton-Century-Crofts, 1968.

9. PINTO, D; PAGNAMENTA, A. T.; KLEI, L. Functional impact of global rare copy numbers variation in autism spectrum disorders. Nature International Weekly Journal of Science, doi:10.1038/nature 09146, jun. 2010. Disponível em: http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature09146.html. Acesso em: 09/06/2010.

10. LOVAAS, O. I. The development of a treatment-research project for developmentally disabled and autistic children. Journal of Applied Behavior Analysis, 26, 1993, p.617-30.

11. LOVAAS, O. I.; SMITH, T. Intensive behavioral treatment for young autistic children. In B. B. Lahey; A. E. Kasdin (Eds.). Advances in clinical child psychology, New York: Plenum Press, v.11, p.285-324, 1988.

12. LOVAAS, O. I.; NEWSOM, C. D. Behavior modification with psychotic children. In H. Leiteberg (Ed.). Handbook of Behavior Modification and Behavior Therapy. Englewoood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1976.

13. BETTELHEIM, B. The Empty Fortress. Infantile autism and the birth of the self. 1ª ed. New York: The Free Press, 1967. 484p.

14. HOWARD, J. S. et al. A comparation of intensive behaviour analytic and ecletic treatments for young children with autism. Reseach in Developmental Disabilities, v.6, p.1359-383, 2005.

15. CORNICK, M. A. Tratamento para crianças em idade pré-escolar diagnosticadas com distúrbios do espectro autismo. In SAVOIA, M. G. (Ed.). A interface entre psicologia e psiquiatria: novo conceito em saúde mental. São Paulo: Roca, p.127-135, 2006.

16. WEISS, M. J.; HARRIS, S. L. Reaching Out, Joining in: Teaching social skills to Young children with autism. Bethesda, MD: Woodbine Houseline, 2001.

17. COO H. et al. Trends in autism prevalence: diagnostic substitution revisited. Journal of Autism and Developmental Disorders, 38, 2008, p.1036-1046.

18. FOMBONNE, E. Epidemiology of autism and other pervasive developmental disorders: an update. J. Autism. Dev. Disord., 33, 2003, p.365-381.

19. Ouellette-Kuntz H. et al. Trends in special code assignment for autism: implications for prevalence estimates. Journal of Autism and Developmental Disorders, 37, 2007, p.1941-1948.

20. Ouellette-Kuntz H. et al. Prevalence of pervasive developmental disorders in two Canadian provinces. Journal of Policy and Practice in Intellectual Disabilities, n.3, p.164-172, 2006.

21. BAILEY, J.; BURCH, M. R. Ethics for Behavior Analyst: a pratical guide to the behavior analyst certification board guidelines for responsible conduct. Portland, OR: Book News, Inc., 2005.

22. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 4th ed. Text Rev. Washington, DC, 2000.

23. YOUNG, J. M. et al. Generalized imitation and response-class formation in children with autism. Journal of Applied Behavior Analysis, 27(4), 1994, p.685-697.

24. IWATA, B. et al. Toward a functional analysis of self-injury. Analysis and Intervention in Developmental Disabilities, 2, 3-20. Reprinted in JABA, 1994, 27, 197-209, 1982.

25. MARTIN, G.; PEAR, J. Behavior modification: What it is and how to do it. 6ª ed. New Jersey: Prentice Hall, 1999.

26. BAER, D. M.; WOLF, M. M.; RISLEY, T. R. Some current dimensions of applied behavior analysis. Journal of Applied Behavior Analysis, v.1, p.91-97, 1968.

27. STAATS, A. W.; STAATS, C. K. Complex human behaviour. New Orkney: Holt, Rinehart & Winston, 1963.

28. BAILEY, J. S.; BURCH, M. R. Research Methods in Applied Behaviour Analysis. Thousands Oaks, California: Sage Publications, 2002.

29. BANDINI, C. S. M.; DE ROSE, J. C. A abordagem behaviorista do comportamento novo. Santo Andre, SP: ESETec Editores Associados, 2006.

30. IWATA, B. A. et al. Skill acquisition in implementation of functional analysis metodology. Journal of Applied Behaviour Analysis, 33, 200, p.181-194.

31. LAVIE, T.; STURMEY, P. Training staff to conduct a paired-stimulus preference assessment. Journal of Applied Behaviour Analysis, 35, 2002, p.209-211.

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ago 17 2014

O Morro dos Ventos Uivantes, a Neurobiologia do Amor e a Metafísica da Paixão – Profa. Dra. Elisabete Castelon Konkiewitz

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O Morro do Ventos Uivantes é um romance publicado por Emily Brontë em 1848, sendo a única obra de ficção desta escritora, que veio a falecer, pouco meses depois, aos 30 anos, após uma vida de poucos acontecimentos, quase toda encerrada em um vilarejo da região de Yorkshire no norte da Inglaterra.
O romance foi chocante na época e ainda arrebata o público moderno pela sua ferocidade, sua energia e seu erotismo. Ele representa um grito selvagem contra as convenções sociais normatizantes, artificiais e excludentes a favor da expansão da individualidade, da liberdade de autodeterminação e de uma forma de vida mais autêntica e natural. Por isso é muito, muito romântico.
É a história de um amor impedido, de uma necessidade sufocada. É a história de um homem que se impõe contra todo um mundo que lhe tirou o que lhe era mais caro e se vinga.

Pouco antes da publicação do romance por Emily Brontë, o filósofo Arthur Schopenhauer, na Alemanha, se debruçava de uma forma bastante diversa sobre o mesmo tema do amor erótico. Em seu ensaio A Metafísica do Amor, ele defende que o enamoramento é uma ilusão que se apossa de nós e nos faz desejar determinada pessoa, acreditando que nela repouse a nossa felicidade, mas que, na verdade, ao perseguirmos este fim egoísta, estamos de fato obedecendo a um interesse muito maior, que é o da perpetuação da nossa espécie. Assim, nós nos apaixonamos justamente pela pessoa com quem as chances de gerarmos filhos mais robustos é maior. 
Ora, este é um pensamento que precede e antevê (quase que profeticamente!) o pensamento darwinista, o conceito de evolução e a própria neurobiologia da paixão, da sexualidade e do ciúmes.

Alguns trechos do ensaio deste grande pensador:
Toda paixão, com efeito, por mais etérea que possa parecer, na verdade enraíza-se tão-somente no instinto natural dos sexos; e nada mais é que um impulso sexual perfeitamente determinado e individualizado. (…)
(…) Pois é a geração futura na sua determinação absoluta individual, que caminha para a existência por meio dessas dores e desses esforços. Sim, é ela mesma que já se agita na escolha circunspecta, determinada, obstinada, procurando satisfazer esse impulso sexual, que tem o nome de amor. (…)
(…)O amor não apenas está em contradição com as situações exteriores, como também o está, muitas vezes, com a própria individualidade, quando se projeta sobre pessoas que, fora das relações sexuais, seriam odiadas pelo amante, desprezadas e até mesmo repulsivas, Mas a vontade da espécie tem um tamanho poder sobre o indivíduos, que o amante fecha os olhos aos atributos que lhe são desagradáveis naquele que ama; de nada se dá conta, unindo-se para sempre ao objeto de sua paixão, de tal maneira o fascina essa ilusão, 
(…) Por isso os antigos representavam o Amor de olhos vendados.
(…) Os antigos sentiram isso muito bem quando personificaram 
o gênio da espécie em Cupido, deus hostil e cruel, apesar de aparência infantil; um deus cruel, por isso mesmo mal-afamado, um demônio caprichoso, despótico e, não obstante, senhor dos deuses e dos homens: Tu, deorum hominumque tyranne, Amor! (Tu, amor, tirano de deuses e homens). Seus atributos são flechas mortíferas, uma venda e asas. A asas indicam a inconstância, que vem geralmente com a decepção, que é consequência do desejo satisfeito.
(…) O arrebatamento vertiginoso que toma o homem quando ele vê uma mulher cuja beleza é para ele das mais adequadas, e lhe preludia a união com ela como o sumo bem, é justamente o sentido da espécie, que, reconhecendo sua estampa nitidamente expressa, gostaria de perpetuar-se com ela. Sobre essa decisiva inclinação para a beleza repousa a conservação do tipo da espécie e por isso é que ela age com tão grande poder.
(…) Também, via de regra, as grandes paixões nascem à primeira vista:
W’ho ever lov’d, that lov’d not at first sight?*
Shakespeare, As you like it, III, 5.
(…) Em conformidade com isso, a perda da amada para um rival, ou para a morte, é também sentida pelo amante apaixonado como uma dor que supera qualquer outra, justamente porque é de tipo transcendente, já que afeta não apenas o indivíduo, mas o atinge em sua essentia aeterna [essência eterna], na vida da espécie, para cuja vontade especial e missão ele estava aqui ocupado. Por isso, o ciúme é tão cheio de tormentos e tão furioso, e a renúncia da amada é o maior de todos os sacrifícios.
Arthur Schopenhauer, Metafísica do Amor, 1844.

“Pois o filósofo Arthur Schopenhauer já mostrou há muito tempo aos homens em que medida o seu agir e ambicionar são determinados por esforços sexuais – no sentido comum da palavra -, e um mundo de leitores devia decerto ter sido incapaz, para assim perder de vista tão completamente uma tão envolvente advertência!”  Freud, no prefácio à quarta edição dos Três ensaios de teoria sexual

QUINTA-FEIRA-25 DE SETEMBRO DE 2014 

19h30-20h30-: Conferência inaugural: O Morro dos Ventos Uivantes, a Neurobiologia do Amor e a Metafísica Da Paixão”-Profa. Dra. Elisabete Castelon Konkiewitz-UFGD

maiores informações  http://simposioneurodourados.com

 

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ago 17 2014

Condutas em Neurotrauma – Dra. Stefânia Forner e Dr. Irineu Renzi Jr.

SEXTA-FEIRA, 26 DE SETEMBRO DE 2014foto_Stefânia Forner

Tarde-Auditório da UFGD – Campus II

14h00-18h00-Mini-curso (em português): Condutas em Neurotrauma-

14h00-14h45-Lesão Medular Traumática: da bancada à clínica- Dra. Stefânia Forner- University of Toronto/UFSC

14h45-15h30-Lesão Medular Traumática-perspectiva neurocirúrgica-Dr. Irineu Renzi Jr. (USP-RP)

16h00-16h45- Traumatismo crânioencefálico-perspectiva neurocirúrgica-Dr. Irineu Renzi Jr. (USP-RP)

16h45-18h00-mesa redonda-questionamentos, discussão e perspectivas futuras.O

  • Stefânia Forner: Doutoranda e Mestre Farmacologia/UFSC e Farmacêutica/UFSC. Doutorado sanduíche na University of Toronto com Dr. Michael G. Fehlings. Coordenadora do grupo (Re)Habilitar do Departamento de Enfermagem/UFSC. Ampla experiência na área de lesão medular traumática e comorbidades tais como dor neuropática e bexiga neurogênica.
  • Dr Irineu Renzi Jr.- médico, neurocirurgião, com graduação, residência e doutorado em Neurocirurgia pela USP de Ribeirão Preto.

 

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ago 17 2014

Casos neurológicos desvendados pelo radiologista – discussão e demonstração de imagem – Dr. Victor Marussi

RMN-craniana-corte-coronal-mostrando-atrofia-cortical-generalizada-estágio avançado da demência do tipo Alzheimer

RMN-craniana-corte-coronal-mostrando-atrofia-cortical-generalizada-estágio avançado da demência do tipo Alzheimer

Auditório da UFGD-Campus II

14h00-18h00-Mini-curso (em português) de Neuroimagem:

Casos neurológicos desvendados pelo radiologista- discussão e demonstração de imagem.

Dr Victor Marussi- médico radiologista, graduado pela UNICAMP, visiting fellowship Universite du Sherbrooke – Quebec – Canadá, atua no Hospital Beneficencia Portuguesa– SP.

 Dr Luiz Dutra-Centro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem-Dourados, Dr. Irineu Renzi Jr.-Hospital das Clínicas-USP-Ribeirão Preto, Prof. Ms. Emerson Henklain Ferruzzi- UFGD, Profa. Dra. Elisabete Castelon Konkiewitz-UFGD.

Intervalo: 15h30-16h00

maiores informações: http://simposioneurodourados.com

 

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ago 17 2014

Neurobiology Course

Neurobiology Course: 

  • How the brain responds to reward;

  • HIV infection of the brain;  

  • Cytokinergic mechanisms of HIV depression

Prof Dr Edward Ziff (NYU), Prof. Dr. Ronald Ellis-UC-San Diego, Profa Dra Cândida Kassuya (UFGD), Prof. Dr. Edmar Miyoshi (UEPG).

 

edward ziff

ronald ellis

edmar miyoshi

candida

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Early-Netherlandish-Painter-Hieronymus-Bosch-The-Seven-Deadly-Sins-detail-3-Oil-PaintingQUINTA-FEIRA-25 DE SETEMBRO DE 2014

14h00-18h00- sala 5- Faculdade de Ciências da Saúde- Neurobiology Course (inglês e português):How the brain responds to reward:

Definition of reward; Response of the basal ganglia to reward; Dopamine system, VTA; Nucleus accumbens, striatum; Medium spiny neurons and their synapses;  Synapse regulation by dopamine;  Origins of hedonia and depression in the nucleus accumbens.

Prof Dr Edward Ziff (NYU), Prof. Dr. Ronald Ellis-UC-San Diego, Profa Dra Cândida Kassuya (UFGD), Prof. Dr. Edmar Miyoshi (UEPG).

Vagas limitadas: 25 pessoas

15h30-16h00-intervalo

 

brain explosionSEXTA-FEIRA, 26 DE SETEMBRO DE 2014

Neurobiology Course (inglês e português): HIV infection of the brain:

The viral life cycle; Viral entry into the brain; Tropism of HIV for dopaminergic brain regions; Neuroinflammation and HIV;  Viral antigens; gp120, Tat; Roles of microglia and astrocytes;  Inflammatory cytokines; HPA axis

Prof Dr Edward Ziff (NYU), Prof. Dr. Ronald Ellis-UC-San Diego, Profa Dra Cândida Kassuya (UFGD), Prof. Dr. Edmar Miyoshi (UEPG)-Vagas limitadas: 25 pessoas

15h30-16h00-intervalo

 

 

 

 

 

Abstract_architecture_Optical_Illusion_wallpaperSÁBADO, 27 DE SETEMBRO DE 2014

14h00-18h00- Neurobiology Course (inglês e português):Cytokinergic mechanisms of HIV depression:

Sickness behavior;  Action of gp120 on synapses; Neurotoxic mechanisms of HIV dementia; Toxicity of gp120 and Tat; Comparison with Alzheimer’s disease; Tropism for dopaminergic neurons; Functional consequences ; Pharmacologic and Psychosocial intervention Opportunities.

Prof Dr Edward Ziff (NYU), Prof. Dr. Ronald Ellis-UC-San Diego, Profa Dra Cândida Kassuya (UFGD), Prof. Dr. Edmar Miyoshi (UEPG

Vagas limitadas: 25 pessoas

15h30-16h00-intervalo

maiores informações: http://simposioneurodourados.com

                                                    

 

 

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ago 17 2014

Altas habilidades, inteligência e criatividade – Prof. Dr.Gláucio Aranha-UFF, Prof. Dr. Alfred Sholl-Franco-UFRJ, Profa. Dra. Ângela Virgolim-UnB.

14h00-18h00-Anfiteatro-FCBA Campus II-UFGD

Ciclo de palestras e mesa redonda: Ampliando o conceito de inteligência- dos neurônios à artechagall-The_Circus_Horse-1964

14h00-14h45 – Perspectivas psicológicas sobre a inteligência e a superdotação - Profa. Dra. Ângela Mágda Rodrigues Virgolim – UnB

14h45-15h30- O que dizem as Neurociências sobre a Inteligência – contribuições para a Educação-Prof. Dr.Alfred Sholl-Franco-UFRJ.

15h30-16h00-intervalo

16h00-16h45-Inteligência, Criatividade e Arte: formas inovadoras de compreender e estimular a cognição- Prof. Dr.Gláucio Aranha-UFF.

16h45-18h00-mesa redonda-questionamentos, discussão e perspectivas futuras.Prof. Dr. Gláucio Aranha Barros-UFRJ, Prof Alfred Sholl Franco-UFRJ, Profa. Dra. Ângela Mágda Rodrigues Virgolim-UnB

18h00-19h00-Hall do Auditório-UFGD

Apresentação do livro: Altas habilidades, inteligência e criatividade:Uma visão multidisciplinar. VIRGOLIM, A.M.R. & KONKIEWITZ, E. C. (Orgs). (2014).  Campinas, SP: Editora Papirus.

Tarde- Sala 3- Faculdade de Ciências da Saúde 14h00-18h00- Oficina de Neuroeducação-

Uso de multimídia na educação; Atenção, movimento e melhora das funções executivas; Arte, cognição e funções cerebrais; Emoções e aprendizado; Ludicidade, lógica e cognição.Prof. Dr.Gláucio Aranha-UFF, Prof. Dr. Alfred Sholl-Franco-UFRJ, Profa. Dra. Ângela Virgolim-UnB.

 

18h00-19h00-Hall do Auditório-UFGD Apresentação livro Fazendo arte com o cérebro. Alfred Sholl-Franco & Thais Veque. Rio de Janeiro: Ciências e Cognição, 2013

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ago 17 2014

Suicide, mental disorders and suicide prevention- Prof. Dr. Erkki Isometsä-University of Helsinki

Erkki Isometsä

 SÁBADO, 27 DE SETEMBRO DE 2014

8h45-9h30: Suicide, mental disorders and suicide prevention- Prof. Dr. Erkki Isometsä-University of Helsinki

10h00-10h45-Suicidal behavior in mood disorders – who, when and why?-Prof. Dr. Erkki Isometsä-University of Helsinki

maiores informações : http://simposioneurodourados.com

 

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ago 17 2014

HIV infection, drug addiction and the brain-Prof Dr. Ronald Ellis-UC-San Diego

ronald ellis

SEXTA-FEIRA, 26 DE SETEMBRO DE 2014

10h00-10h45- HIV infection, drug addiction and the brain-Prof Dr. Ronald Ellis-UC-San Diego

 

SÁBADO, 27 DE SETEMBRO DE 2014

8h00-8h45: HIV Associated Neurocognitive Disorders- Prof. Dr. Ronald Ellis-UC-San

Diego

 

14h00-18h00- sala 5- Faculdade de Ciências da Saúde-brain explosion

Neurobiology Course (inglês e português): HIV infection of the brain:

The viral life cycle; Viral entry into the brain; Tropism of HIV for dopaminergic brain regions; Neuroinflammation and HIV;  Viral antigens; gp120, Tat; Roles of microglia and astrocytes;  Inflammatory cytokines; HPA axis

Prof Dr Edward Ziff (NYU), Prof. Dr. Ronald Ellis-UC-San Diego, Profa Dra Cândida Kassuya (UFGD), Prof. Dr. Edmar Miyoshi (UEPG)-Vagas limitadas: 25 pessoas

15h30-16h00-intervalo

 

maiores informações http://simposioneurodourados.com

 

 

 

 

 

 

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