Sonho e Sonhos: bases neurobiológicas, atividade cerebral e teorias interpretativas de seu conteúdo – por Elimar Mayara de Almeida Menegotto-extraído do livro “Tópicos em Neurociência Clínica”-Elisabete Castelon Konkiewitz-editora UFGD-2009

 

 1503959_778692502143155_470115885_n1 INTRODUÇÃO

O sono e os sonhos são misteriosos. A cada noite, abandonamos nossos companheiros, nosso trabalho e nosso lazer e entramos no retiro do sono. Temos somente controle limitado sobre a decisão; podemos adiar o sono por algum tempo, mas somos inevitavelmente vencidos por ele. Gastamos aproxi­madamente um terço de nossas vidas dormindo, e a quarta parte deste tempo sonhando ativamente.

O hábito de dormir é universal entre os vertebrados superiores, talvez entre todos os ani­mais. A privação prolongada de sono é devastadora, ao menos temporariamen­te, para um funcionamento adequado e, em alguns animais (embora não em hu­manos), ela pode causar até mesmo a morte. [1]

O sono é definido como um estado de inconsciência do qual a pessoa pode ser despertada por estímulo sensorial ou outro estímulo. Durante o sono, ao contrário do que faz parecer a relativa imobilidade do corpo, o Sistema Nervoso Central é sede de intensa atividade. Existem múltiplos estágios de sono, do sono muito leve ao sono muito profundo; o sono também é dividido em dois tipos diferentes de acordo com suas características, e em fases de acordo com a atividade elétrica cerebral. [2][5]

Sobretudo, o sono é essencial para as nossas vi­das – quase tão importante como a alimentação e a respiração. Mas por que dormimos? De que resulta o sono? Para que propósito serve? Como se comporta? [1]

2 SONO E SONHOS

2.1 BASES NEUROBIOLÓGICAS

Durante cada noite, uma pessoa percorre estágios de dois tipos de sono que se alternam um com o outro em ciclo. Eles são chamados de sono de ondas lentas, ou sono não-REM e sono paradoxal ou sono REM. [2]

2.1.1 Sono de ondas lentas

O sono não-REM parece estar projetado para o repouso. Este sono é excepcionalmente relaxante e está associado à diminuição do tônus vascular periférico e de muitas outras funções vegetativas do corpo. Ocorre uma diminuição de 10 a 30% na pressão arterial, na freqüência respiratória e na taxa metabólica basal. [1] [2]

A tensão muscular está reduzida em todo o corpo e o movimento é mínimo. O corpo é capaz de mo­vimentos durante o sono não-REM, mas só o faz raramente, sob o comando en­cefálico, geralmente para ajustar a posição corporal.

A temperatura e o consumo de energia do corpo estão reduzidos. Em decorrência de um aumento na ativida­de da divisão parassimpática do sistema neurovegetativo, a freqüência cardíaca, a respiração e a função renal ficam mais lentas, enquanto os processos digestivos aumentam. O encéfalo também parece repousar. Sua taxa de uso de energia e as taxas de disparo de seus neurônios em geral estão no nível mais baixo de todo o dia.

Em­bora não exista uma maneira de se saber com certeza o que as pessoas estão pensando quando estão dormindo, os estudos indicam que os processos mentais também atingem seu nível diário mais baixo durante o estágio não-REM.

Quan­do acordadas, as pessoas normalmente não se recordam de nada ou somente recordam de pensamentos muito vagos, isto não quer dizer que não haja sonhos, mas ocorre porque não há a consolidação de sonhos na memória durante o sono não-REM. [1]

Quando presentes, os relatos de sonhos na fase não-REM tendem a ser mais curtos, menos nítidos, com menor conteúdo emocional e mais coerentes que os ocorridos durante o sono REM. [6]

2.1.2 Sono REM

Do inglês Rapid Eye Movement, um estado de sono que se caracteriza pelo movimento rápido dos olhos; também chamado de sono paradoxal, pois o EEG (eletroencefalograma) parece quase indistinguí­vel daquele de um encéfalo ativo, em vigília, com oscilações rápidas e de baixa voltagem, muito mais semelhante com o do estado acorda­do que com o de dormindo.

Embora os períodos REM sejam responsáveis pela menor parte do sono, esta é a parte em que temos sonhos intrigantes e enigmáticos. Alguém que é acordado durante o sono REM, provavelmente relatará episódios visuais detalhados, freqüentemente com histórias bizarras.

A fisiologia do sono REM também é especial. O consumo de oxigênio pelo encéfalo (uma medida de sua utilização de energia) é mais elevado no sono REM do que quando estamos acordados e con­centrados. Há uma perda quase total do tônus muscular esquelético, ou atonia. A maior parte do corpo está realmente incapaz de movimentação. Os músculos que controlam o movimento dos olhos e os pequenos músculos do ouvido interno são exceções; eles estão nitidamente ativos. Com as pálpebras fechadas, os olhos ocasionalmente movem-se com rapidez de um lado para o outro. Estes sur­tos de movimentos rápidos dos olhos são os melhores indícios dos sonhos vívi­dos, e 90 a 95% das pessoas acordadas durante ou após estes momentos relatam sonhos.

Os sistemas fisiológicos de controle são dominados pela atividade simpática durante o sono REM. A temperatura interna começa a ser direcio­nada para níveis mais baixos. As freqüências cardíaca e respiratória aumentam, mas tornam-se irregulares. [1]

2.1.3 O ciclo do sono

Mesmo uma boa noite de sono não é uma jornada estável, ininterrupta. O sono toma conta do encéfalo por um percurso de repetidas variações de atividade. Aproximadamente 75% do tempo total do sono são gastos no so­no não-REM e 25% em sono REM, com ciclos periódicos entre estes estágios por toda a noite. [1]

Durante o sono, o individuo passa, geralmente por ciclos repetitivos, começando pelo estágio 1 do sono não-REM, progredindo até o estágio 4, regride para o estágio 2, e entra em sono REM. O ciclo se repete a cada 90-110 minutos, 4 a 6 vezes por noite. [8]

Esses estágios não-REM do sono são divididos de acordo com a atividade elétrica cerebral em cada momento do sono, captada no EEG. O registro do EEG é um conjunto de muitos traçados irregulares simultâneos, que indica alterações de voltagem nas correntes que fluem durante a excitação sináptica dos dendritos de muitos neurônios do córtex cerebral.  São distintos 4 tipos de ondas no EEG, denominadas alfa, beta, teta e delta. [1]

As ondas alfa situam-se aproximadamente entre 8 e 13Hz e estão associadas com estimulação síncrona do tálamo aos neurônios do córtex; presentes em  estados de vigília, em repouso e sonolência. As ondas beta são as mais rápidas, maiores que 14Hz, e sinalizam um córtex ativado, com neurônios disparando de forma assíncrona. As ondas teta situam-se de 4 a 7Hz e ocorrem durante alguns estados de sono. Já as delta, muito lentas e menores que 4Hz, indicam um sono profundo, resultante de mecanismo de ativação intrínseco do córtex. [8]

Habitualmente quando um adulto saudável torna-se sonolento e começa a dor­mir, ele entra primeiramente no estágio 1 do sono não-REM. O estágio 1 é o sono transicional, quando os ritmos alfa do EEG da vigília relaxada vão se tornando menos regulares e acabam minguando, os olhos fazem movimentos de rotação lentos. Começa com uma sonolência e depois de aproximadamente cinco minutos, a pessoa adormece. Trata-se de um estágio passageiro, e também o estágio de sono mais leve, estando o indivíduo facilmente despertável. Predominam sensações de vagueio, pensamentos incertos, mioclonias das mãos e dos pés, lenta contração e dilatação pupilar. Nessa fase, a atividade onírica está sempre relacionada com acontecimentos vividos recentemente. [1] [8]

O estágio 2 é levemente mais profundo e pode durar 5 a 15 minutos. Caracteriza-se por a pessoa já dormir, porém não profundamente. O EEG mostra freqüências de ondas mais lentas, aparecendo o complexo K, e a oscilação ocasional do EEG de 8 a 14 Hz, o chamado fuso do sono, o qual se sabe que é gerado por um marca-passo talâmico. Nessa fase, despertar por estimulação tátil, fala ou movimentos corporais são mais difíceis do que no estágio anterior. Aqui a atividade onírica já pode surgir sob a forma de sonho com uma história integrada. [1] [8]

Na se­qüência, o estágio 3 e o EEG inicia ritmos delta lentos, de grande amplitude: os movimentos dos olhos e do corpo estão ausentes. Tem muitas semelhanças com o estágio 4, porém, nesse estágio as ondas delta não predominam, diferente do estágio 4. Nessas fases, os estímulos necessários para acordar são maiores. Do estágio 3 para o estágio 4, há uma progressão da dificuldade de despertar. O estágio 3 tem a duração de cerca de quinze a vinte minutos. [1] [8]

O 4 é o estágio de sono mais profundo, com ritmos do EEG de grande amplitude. Duran­te o primeiro ciclo de sono, o estágio 4 pode persistir por 20 a 40 minutos. Este estágio não-REM do sono caracteriza-se pela secreção do hormônio do crescimento em grandes quantidades, promovendo a síntese protéica, o crescimento e reparação tecidual, inibindo, assim, o catabolismo.

Após o estágio 4, o sono começa a se tornar mais leve novamente, ascende até o estágio 3 por 5 minutos e ao 2 por 10 a 15 minutos e entra, repentinamente, em um breve período de sono REM, com seus ritmos beta no EEG e movimentos nítidos e freqüentes dos olhos.  [8]

Fase Características % do sono total
  • Fase I:
  • Fase II
  • Fase III:
  • Fase IV:
  • REM:
sonolência, sono leve (atividade alfa/beta)sono leve, fusos do sono (atividade alfa, teta)atividade teta/delta (delta <50%)atividade teta/delta (delta >50%)movimento rápido dos olhos (atividade beta) 5-10%50-60%15-20%20-25%

Tabela 1: Características das fases do sono [3]

eletroencefalograma durante o sono

Figura 1: EEG nas diversas fases do sono e vigília. (Disponível em: http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-bio/trab2000/sono/eeg.htm)

À medida que a noite progride e a pessoa fica mais descansada, principalmente a partir da metade do sono total, ocorre uma redução geral na duração do sono não-REM, particularmente dos estágios 3 e 4, e um aumento dos períodos REM. [9]

Metade do sono REM de uma noite ocorre durante o seu último terço e os ciclos REM mais longos podem durar de 30 a 50 minutos. Parece haver, ainda, um pe­ríodo refratário obrigatório, de aproximadamente 30 minutos, entre os períodos de REM; em outras palavras, cada ciclo REM é seguido por pelo menos 30 minu­tos de sono não-REM antes que o próximo período de sono REM possa se iniciar. [1]

 arquitetura do sono

Figura 2: Duração dos estágios de sono durante o sono. (Disponível em: http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=2&materia_id=462&materiaver=1)

2.1.4 Mecanismos neurais

A primeira teoria sobre o sono foi a teoria passiva do sono, a qual postulava que as áreas excitatórias da parte superior do tronco cerebral, o sistema ativador reticular, simplesmente se fatigavam durante a vigília tornando-se, em conseqüência, inativas, causando o sono. Porém, há diferentes sistemas neuronais que promovem alerta e sono, localizados principalmente na ponte, no bulbo e no hipotálamo. [2][6]

Moruzzi e Magoun demonstraram que a estimulação elétrica da formação reticular mesencefálica promovia o estado de vigília, e, ao contrário, lesão nessa região promovia estado comatoso. A experiência demonstrou que a transecção do tronco cerebral ao nível médio da ponte cria um cérebro cujo córtex nunca dorme. Descobriram também que a formação reticular mesencefálica é inibida por um sistema localizado no bulbo.

A estimulação do hipotálamo posterior produz alerta parcialmente mediado por neurônios histaminérgicos que se conectam para baixo com células do tronco encefálico e acima com células prosencefálicas. A destruição desses neurônios histaminérgicos no hipotálamo posterior aumenta o sono. Igualmente, o bloqueio das projeções histaminérgicas por medicamentos promove o sono.

Já o hipotálamo anterior, sob estimulação, induz o sono, e a lesão dessas áreas produz vigília prolongada. A ação indutora de sono dessa área é mediada por neurônios inibitórios GABA-érgicos chamados células on-não-REM, que produzem sono por inibir as células histaminérgicas do hipotálamo posterior e as células do núcleo reticular pontino que medeiam o alerta. Esses neurônios são muito ativos no sono não-REM. [6]

3 FUNÇÃO NA ATIVIDADE CEREBRAL

O sono causa dois tipos principais de efeitos fisiológicos; primeiro, efeitos no próprio sistema nervoso, e, segundo, em outros sistemas funcionais do corpo. Os efeitos no sistema nervoso parecem ser os mais importantes, já que, uma pessoa com medula seccionada a nível cervical não tem alterações no ciclo sono-vigília. [2]

Nenhuma teoria da função do sono é completamente aceita, mas a falta de sono certamente afeta as funções do sistema nervoso central. A vigília prolongada está geralmente associada à má função progressiva no processo de pensamento, diminuição da capacidade intelectual, perda de memória e reflexos e algumas vezes pode causar atividades comportamentais anormais como aumento da ansiedade, irritabilidade, depressão e reações emocionais diversas. Portanto, podemos presumir que o sono restaura de muitas formas tanto os níveis normais da atividade cerebral como o equilíbrio normal entre as diferentes funções do sistema nervoso central. [1][2]

Essa é uma das teorias mais razoáveis da função do sono: teoria de restauração, a qual postula que a principal função do sono é restaurar o equilíbrio natural entre os centros neuronais.

A segunda, teoria de adaptação, é menos óbvia: vê o sono como adaptação para conservação de energia. Enquanto dorme, o corpo trabalha o suficiente para manter-se vivo. A temperatura interna do corpo cai e a taxa de consu­mo de calorias é mantida baixa. Assim o organismo entra em um estado de repouso, recuperando energias para uma próxima vigília. [1]

3.1 O SONO E A MEMÓRIA

Além de o sono restaurar as capacidades mentais, as memórias podem ser consolidadas e processadas durante o sono.

O processamento das informações é sugerido pelos neurônios hipocampais, que codificam a localização espacial e estão ativos durante a vigília, sendo ativados principalmente em períodos de sono REM subseqüentes quando comparados a neurônios que não estão ativos na vigília. A inferência é que memórias estão sendo relacionadas a outras informações cerebrais, constituindo um processamento off-line de informações adquiridas durante o dia ao longo da vida do individuo. [3]

Para consolidação das memórias, as informações devem ser coletadas no hipocampo, onde são armazenadas temporariamente, e transmitidas ao neocórtex, para se tornarem memória de longo prazo. Durante o sono REM, há uma redução da atividade da acetilcolina, substância responsável pela retenção de informações no hipocampo. Dessa forma, é facilitada essa transferência das informações.

Cada fase do sono é usada pelo cérebro para estocar determinado tipo de informação. Nas duas fases mais leves do sono, informações morotas, relacionadas a atividades como tocar um instrumento musical ou praticar um esporte. Nas fases 3 e 4, o cérebro se encarregaria de armazenar memória espacial. E a memória intelectual, ligada ao pensamento lógico e matemático, estaria relacionada ao sono REM. [7]

 Jacob's ladder

4 TEORIAS INTERPRETATIVAS

Os sonhos são uma seqüência de fenômenos psíquicos, imagens, representações, atos e idéias, que, involuntariamen­te, ocorrem durante o sono. Desde o princípio, a atividade onírica parece fascinar a humanidade. Antes ela estava associada à influência dos deuses ou demônios, logo após ela adentra no mundo científico, merecendo estudos e sistematizações. [1]

Freud sugeriu muitas funções para os sonhos. Para Freud, havia por trás dos sonhos desejos disfarçados, sendo o sonho, uma via para realização e expressão de fantasias proibidas durante a vigília.  A força motivadora para a formação dos sonhos seria fornecida por um impulso inconsciente, reprimi­do durante o dia, o qual perturbaria o sono e seria transformado numa forma dramática e mais aceitável pelo trabalho do sonho. [1][4]

Charity by Guido Reni

Imagem arquetípica- “A grande Mãe”- que pode aparecer nos sonhos

Charity by Guido Reni

Já Jung, considerou sonho uma representação simbólica do estado da psique. Para Jung, o sonho mostra os conteúdos da psique pessoal (os complexos) sob uma forma per­sonificada ou representacional, como pessoas, objetos e situações que refletem os padrões mentais, não havendo um objetivo oculto no sonho. [4]

Dream Under a Desert Sky- by visually impaired artist Stella De Genova

Dream Under a Desert Sky- by visually impaired artist Stella De Genova

Imagem arquetípica -"O Velho Sábio"-que pode aparecer em sonhos-St Matthew and the Angel by Guido Reni

Imagem arquetípica -“O Velho Sábio”-que pode aparecer em sonhos-St Matthew and the Angel by Guido Reni

Carl Gustav Jung (1875-1960) acreditava na existência do inconsciente. No entanto, ele não via o inconsciente como animalesco, instintivo ou sexual e sim como algo espiritual. Segundo Jung, os sonhos são uma forma de comunicação e familiarização com nosso inconsciente.

Os sonhos são uma janela para o inconsciente, servem para orientar o eu desperto a conseguir a plenitude e solução para  os problemas que o indivíduo enfrenta em sua vida de vigília.  Parte da teoria de Jung é que todas as coisas podem ser vistas como opostos emparelhados  bom/mau, masculino/feminino, ou amor/ódio e ele entendia o “ego” como sendo  o “senso de si mesmo”, então, a oposição do ego seria a “sombra”. A sombra representa os aspectos rejeitados de nós mesmos, aqueles que não desejamos reconhecer como nossos. A sombra é mais primitiva, um pouco inculta  e pouco hábil.  Como os sonhos são uma maneira de comunicação com o inconsciente, Jung acreditava que as imagens oníricas revelariam algo sobre nós mesmos, nossos relacionamentos com outras pessoas e situações de nossas vidas. Sonhos orientam nosso crescimento pessoal e ajudam a atingir nosso pleno potencial. 

O método de Jung para interpretação dos sonhos é colocar mais confiança sobre as interpretações do próprio sonhador. Ele acreditava que todos possuem as ferramentas necessárias para interpretar seus próprios sonhos, não existindo uma maneira única e correta de interpretação dos sonhos. O significado dos seus sonhos é uma decisão pessoal e cabe a você como interpretá-los. Para ajudar ainda mais a descobrir o significado dos sonhos, Jung observou certos símbolos oníricos que possuem o mesmo significado universal para todos os homens e mulheres. Símbolos esses que fariam parte do “inconsciente coletivo”. Enquanto os sonhos são pessoais, suas experiências pessoais, ainda assim, muitas vezes tocam em temas e símbolos universais. Estes símbolos estão presentes em todas as culturas ao longo do tempo.

 Exemplos:

  1. A persona: é a imagem que você apresenta para o mundo em sua vida de vigília. É a sua máscara pública. No mundo dos sonhos, o personagem é representado pelo Self.  Por exemplo, o personagem pode aparecer como um espantalho ou um mendigo em seu sonho, no entanto, o sonhador sabe que essa “pessoa” em seu sonho é ele próprio.
  2. A sombra:é a porção reprimida e contém aspectos rejeitados de si mesmo. É a parte de si mesmo que você não quer que o mundo veja porque ele é feio ou desagradável. Ele simboliza a fraqueza, medo ou raiva. Nos sonhos, essa figura é representada por um perseguidor, assassino, um tirano, pode ser uma figura assustadora, ou mesmo um amigo ou parente próximo. Sua aparência, muitas vezes faz você sentir raiva ou medo. Esse tipo de sonho o força a confrontar as coisas que você não quer ver ou ouvir. 
  3. O Anima / O animus:é o sexo feminino e masculino enquanto aspectos de si mesmo. Todos têm aspéctos tanto masculinos como femininos. Nos sonhos, a anima aparece como uma figura altamente feminina, enquanto o animus aparece como uma forma de hiper-masculino. Ou você pode sonhar que está vestido com roupa de mulher, se você é homem ou que deixou a barba crescer, se você for mulher. Esses imaginários aparecem, dependendo de quão bem você é capaz de integrar as qualidades femininas e masculinas dentro de si. Eles servem como um lembrete de que você deve aprender a reconhecer e expressar seu lado masculino (ser mais assertivo) ou feminino (ser mais emocional).
  4. ACriança Divina:é o seu verdadeiro eu em sua forma mais pura. Ela não só simboliza a sua inocência, seu senso de vulnerabilidade, e seu desamparo, mas representa suas aspirações e potencialidades, esta figura é representada por um bebê ou criança pequena.
  5. O Velho Sábio / A mulher sábia:é o auxiliar em seus sonhos.Representado por um professor, pai, médico, padre ou alguma autoridade ou mesmo por uma figura desconhecida, esses sonhos servem para oferecer orientação e palavras de sabedoria. Eles aparecem em seu sonho como uma forma de orientação.
  6. A Grande Mãe:aparece em seus sonhos como sua própria mãe, avó ou outra figura feminina repleta de bondade e carinho.Ela lhe oferece confiança positiva. Negativamente, pode ser descrita como uma bruxa ou mendiga.
  7. O Malandro:, como o nome implica, é um brincalhão que não quer que você se torne sério demais. O malandro pode aparecer em seu sonho quando você exagerar ou subestimar uma situação ou quando você estiver incerto sobre uma decisão. O malandro muitas vezes faz você se sentir desconfortável ou constrangido, por vezes, zombando de você ou expondo suas vulnerabilidades. Ele pode assumir formas sutis, às vezes até mudar a sua forma.

Sonhos arquetípicos, também chamados de “sonhos míticos” ou “grandes sonhos”, geralmente ocorrem em momentos importantes ou períodos de transição em nossas vidas. Tais sonhos têm uma qualidade cósmica, são extremamente vivos e permanecem em nossa mente muito tempo depois que tivemos o sonho, as vezes, por anos e anos.Bons Sonhos!

extraído de: http://carlalindolfo.wordpress.com/2010/11/20/jung-e-os-significados-dos-sonhos/

Teorias recentes dos sonhos são mais biologicamente fun­damentadas. Allan Hobson e Robert McCarley, de Harvard, propõem a hipótese de “ativação-síntese”, a qual explicitamente rejeita as inter­pretações psicológicas. Em vez disso, os sonhos são vistos como associações e memórias do córtex ce­rebral causadas por descargas aleatórias da ponte durante o sono REM. Assim, os neurônios pontinos, através do tálamo, ativam várias áreas do córtex cerebral e provocam imagens ou emoções bem conhecidas e o córtex tenta sintetizar as imagens discrepantes em um todo com sentido, gerando o sonho.

Tão surpreendentemente o pro­duto do sonho “sintetizado” pode ser completamente estranho ou mesmo sem sentido, pois é disparado por atividade semi-aleatória da ponte.

As evidências para a hipótese da ativação-síntese são algo incongruentes. A hipótese prevê a extravagância dos sonhos e sua correlação com o sono REM, mas não explica co­mo a atividade ao acaso pode disparar histórias fluentes e complexas que mui­tos sonhos podem conter, nem como pode causar sonhos que se sucedem repeti­damente noite após noite. [1]

Elimar Mayara de Almeida Menegotto-médica-graduada pela VIIIa turma -UFGD

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] BEAR, MF, CONNORS, BW, PARADISO, MA. Os rirmos do encéfalo. Neurociências – Desvendando o sistema nervoso. Porto Alegre: Artmed, 2006, 2ª ed. Cap 19, p. 606-636.

[2] GUYTON, A.C; HALL, J. E. Estados de Atividade Cerebral – Sono, ondas cerebrais, epilepsia, psicose. Tratado de fisiologia médica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006, 11ª ed, cap 59, p. 739-747

[3] MCCARLEY, RW. Eletrofisiologia humana e mecanismos básicos do sono. Neuropsiquiatria e neurociências na prática clínica. Porto Alegre: Artmed, 2006, 4ª ed, cap 2, p. 53-75.

[4] OLIVEIRA, EC. A interpretação dos sonhos. Cientefico. Ano VII, v. II, p.314. Salvador, julho-dezembro 2007.

[5] PINTO JR., LR; TIMO-IARIA, C. Atividade onírica e dos sonhos. Medicina e biologia do sono. Barueri: Manole, 2008, 1ª ed, Cap 19, p. 227-239.

[6] RECHTSCHAFFEN, A; SIEGEL, J. Sono e Sonhos. Princípios da Neurociência.  Barueri: Manole, 2003, 4ª ed, Cap 47, p. 936-947.

[7] http://veja.abril.com.br/211107/p_098.shtml

[8] http://pt.wikipedia.org/wiki/Sono

[9] http://www.clinar.com.br/sono.htm

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