CÉLULAS-TRONCO NO TRATAMENTO DE DOENÇAS NEUROLÓGICAS – por Agatha Rosembarque Meza e Jéssica Melchior

INTRODUÇÃO

 

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Este artigo tem como objetivo o estudo do tratamento de doenças neurológicas a partir de células-tronco, em especial a doença de Alzheimer.

As células-tronco representam uma unidade natural de desenvolvimento embrionário e da reparação tecidual. Caracterizam-se por suas propriedades de autorrenovação e por sua capacidade de gerar linhagens celulares diferenciadas. São classificadas em pluripotentes, multipotentes e adultas.

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A neurogênese a partir de células-tronco neurais (NSC) ocorre em cérebros de roedores adultos e humanos. Portanto, o dogma há tanto tempo estabelecido de que novos neurônios não são gerados no cérebro de mamíferos adultos normais provou ser, agora, incorreto. As NSC (também conhecidas como células precursoras neurais), capazes de originar neurônios, astrócitos e oligodendrócitos, têm sido identificadas em duas áreas de cérebros adultos, a zona subventricular e o giro denteado do hipocampo. Não está esclarecido se os neurônios gerados recentemente são integrados no circuitos neurais, sob condições fisiológicas ou patológicas, e, mais amplamente, qual deve ser a proposta da neurogênese adulta. Existe muita expectativa de que o transplante de células-tronco ou a indução de diferenciação das NSC endógenas possam ser usados no tratamento no acidente vascular encefálico, nos distúrbios neurodegenerativos, como as doenças de Parkinson e Alzheimer, e na lesão de medula espinal(1).

 

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Alzheimer é uma doença cerebral, em que no desenvolvimento ocorre a degeneração e morte neuronal progressiva. A doença é o tipo de demência mais comum que causa alterações de linguagem e memória, desorientação no tempo e espaço, além de sintomas delirantes que se agravam com o passar do tempo.

  CÉLULAS-TRONCO

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Classificam-se em pluripotentes, multipotentes e adultas. As pluripotentes ou embrionárias fazem parte do estágio inicial, sendo assim, são capazes de se transformar em qualquer célula, podendo gerar qualquer tecido do organismo.

As multipotentes apresentam potencial de desenvolvimento mais restrito, produzem as células diferenciadas dos três folhetos embrionários (epiderme, mesoderme e endoderme). As células-tronco adultas ou somáticas geralmente são encontradas no revestimento do intestino, tecido hematopoiético, pele, residindo em microambientes especiais denominados nichos. Propaga-se a ideia de que os nichos transmitam estímulos que regulam a autorrenovação das células-tronco e a geração de células progenitoras.

Desse modo, tendo em vista sua capacidade de regeneração e transdiferenciação é que cientistas realizam muitas pesquisas, a fim de melhorias, sobretudo na Medicina, para o tratamento de pessoas com doenças degenerativas, diabetes, lesões na medula, câncer.

No entanto, essas pesquisas, sobretudo com células-tronco embrionárias, são causas de muitas polêmicas envolvendo questões éticas e religiosas, pois para que sejam feitas pesquisas são utilizados embriões, consequentemente eles não se desenvolverão. A igreja considera que essa interrupção não pode ocorrer, visto que o embrião já é vida em potencial. Em contrapartida, pesquisadores brasileiros afirmam que os embriões usados são aqueles não utilizados na fertilização in vitro e que, após um período são descartados. Sendo assim, porque não utilizá-los para salvar outras vidas e avançar nas pesquisas.

Em 2008, o STF liberou as pesquisas com células-tronco, após muitas polêmicas e discussões. Mesmo assim, os debates continuam e parecem distantes de um real acordo.

 

ALZHEIMER

 

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A doença de Alzheimer (DA) tornou-se um sério e importante problema de saúde coletiva com a elevação da expectativa de vida da população mundial. A DA é a causa mais comum de demência em indivíduos maiores de 60 anos.

Alois Alzheimer foi um médico alemão que, em 1907, publicou um artigo cujo título é “A characteristic serious disease of the cerebral cortex” que apresenta os primeiros achados clínicos e anatomopatológicos de um caso específico.

A então paciente analisada começou a apresentar sintomas delirantes, alterações de linguagem e memória, desorientação tempo e espaço com piora progressiva. Após a morte da paciente, a mesma foi submetida a exame anatomopatológico, no qual foi detectado um acúmulo de placas características no espaço extracelular, denominadas placas senis, e lesões neurofilamentares no interior de neurônios distribuídas pelo córtex cerebral.

A partir da década de 70, a nomenclatura “Doença de Alzheimer” começou a ser utilizada de forma indistinta para os casos de demência degenerativa, com lesões cerebrais como placas senis e emaranhados neurofibrilares.

A doença pode ser dividida em três fases: leve, moderada e grave. O diagnóstico é feito a partir de uma consulta com o médico que deve entrevistar não apenas o paciente, mas também, pessoas próximas a ele a fim de acrescentar informações para um diagnóstico mais preciso. Além disso, são necessários exames de neuroimagem e de funções cognitivas, como linguagem, cálculo e memória.

A medicação é feita, principalmente, por medicamentos que agem na acetilcolina e os que agem no glutamato que estabilizam a progressão da doença.

 

TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER A PARTIR DE CÉLULAS-TRONCO

 

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As células-tronco incluem células estaminais embrionárias (CES), células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), e células-tronco derivadas de tecido, tais como a medula óssea (MO) – e as células-tronco derivada de tecido adiposo. Células-tronco derivadas de neurônio têm potencial para integrar as redes neurais do cérebro hospedeiro. O transplante de células parece aumentar os níveis de acetilcolina para melhorar a cognição e memória no modelo animal. Além disso, as células estaminais segregam fatores neurotróficos para modular a neuroplasticidade e neurogênese(2).

A reprodução in vitro de MSCs produzem um efeito terapêutico em cobaias. As células transplantadas são capazes de aumentar células positivas para a acetilcolina no cérebro lesionado e também atuaram na remoção de placas senis a partir do hipocampo. As MSCs humanas também aumentaram a sobrevivência neuronal no modelo usado.

As células estaminais derivadas de tecido adiposo (ADSCs) foram induzidas a diferenciar-se em neurônios ou astrócitos e seu transplante lhes permitiu diferenciar-se em neurônios e astrócitos causando melhoria da função neuronal e consequentemente ganhos neuronais. Quando as ADSCs foram administradas por via intravenosa nos ratos modelos, essas células foram encontradas no cérebro em até doze dias após injeção(3).

O estudo sugere que as MSCs foram que transplantadas diretamente no cérebro, os níveis cognitivos e funções locomotoras em cobaias idosas tiveram um ganho significativo.

Uma outra pesquisa em que também foram transplantadas células estaminais mesenquimais derivadas de tecido adiposo no hipocampo de ratos transgênicos para a doença de Alzheimer, concluiu-se que o transplante de células estaminais mesenquimais podem estimular a neurogênese no cérebro de roedores adultos, pois essas células secretam fatores de crescimento aumentando assim a proliferação celular na zona subgranular do giro dentado. Isso facilita a diferenciação de novas células na zona subventricular, facilitando a recuperação funcional nas cobaias devido a neurogênese.

Um novo estudo utilizou-se de células humanas isoladas de pacientes com DA. Essas células foram posteriormente utilizadas para modelar a doença oferecendo uma visão única sobre seu funcionamento anormal se comparado com células não doentes e também, como podem ser mais vulneráveis a fatores ambientais.

Esta abordagem contribuiu para a aplicação prática no tratamento da doença estudada. No entanto, essa forma de estudo é limitada devido a possibilidade de alterações genéticas que não fazem parte da progressão da doença, induzida possivelmente, por condições de cultura. Esse tipo de estudo é interessante uma vez que dispensa, no momento inicial o uso de cobaias in vivo.

 

CONCLUSÃO

Cientistas do mundo todo estão usando a tecnologia de iPSC para investigar estágios iniciais do desenvolvimento neural humano e para modelagem de doenças neurológicas. A modelagem de doenças com sintomas tardios, como Alzheimer, ou mesmo psiquiátricas, como no autismo, vai precisar de fatores adicionais para que o sistema seja desafiado e revele fenótipos celulares relevantes. O potencial da reprogramação celular parece estar mesmo limitado pela capacidade criativa humana e pelos princípios éticos definidos pela sociedade. Neurocientistas do passado não poderiam imaginar um cenário como esse, onde infinitas células nervosas de pacientes vivos pudessem ser geradas constantemente e estudadas em laboratórios do mundo todo. Por sua vez, pesquisadores do futuro não conseguirão imaginar a ciência sem uma ferramenta como essa (4).

A terapia com células estaminais não apenas tem o potencial de substituir neurônios lesados como também possui a capacidade de gerar novos astrócitos. Os estudos confirmam que o tratamento com células-tronco pode ser eficaz e seguro, principalmente por meio do avanço das novas pesquisas e testes. O que torna as questões éticas e religiosas que envolvem o tema muito importantes para que sejam estipulados limites, mas também a fim de que se alcance coerência, pois o avanço desses estudos propiciarão cada vez mais melhorias e qualidade de vida para muitas pessoas.

 

 Agatha Rosembarque Meza e Jéssica Melchior: Graduandas do curso de Medicina, Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Dourados (UFGD), Dourados MS, Brasil.

 

REFERÊNCIAS

 

  • Kumar V, Abbas A.K, Fausto N, Aster Jc. Robbins e Cotran. 2010. 8ª edição, p.85.
  • Li M, Guo K, Ikehara S. Stem Cell Treatment for Alzherimer`s Disease. International Journal of Molecular Sciences. 2014; 15: 19226-38.
  • Ha S, Ahn S, Joo Y, Chong Yh, Chang Ka, In vivo de imaging of human adipose-derived stem cells in Alzheimer`s disease animal model. Biomed. Opt. 2014; 19: 051206.
  • Muotri A. Células-tronco pluripotentes e doenças neurológicas. Av. [online]. 2010, vol.24, n.70

 

  • Munoz Jr, Stoutenger Br, Robinson Ap, et al. Human stem/progenitor cells from bone marrow promote neurogenesis of endogenous neural stem cells in the hippocampus of mice. Proc Natl Acad Sci U S A. 2005;102(45):18171–18176.
  • Kan I, Barhum Y, Melamed E, et al. Mesenchymal stem cells stimulate endogenous neurogenesis in the subventricular zone of adult mice. Stem Cell Rev. 2011;7(2):404–412.
  • Yan Y, Ma T, Gong K, Ao Q, Zhang X, Gong Y. Adipose-derived mesenchymal stem cell transtontation promotes adult neurogenesis in the brains of Alzheimer`s disease mice. Neural Regen Res. 2014; 9: 798-805.
  • Fitzsimons Cp, Bodegraven E,[…], Rutten Bpf. Epigenetic Regulation of Adult Neural Stem Cells: implications for Alzheimer`s diseases. Mol neurodegener.

2014; 9: 25.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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3 Comments

  1. Tenho uma pessoa da família com Parkinson.
    Como ela poderia se candidatar a um implante de células tronco?

  2. Cristina Pires

    Tenho um problema nas maos arthrose, Fui operada a mao esquerda e tirara-me o osso do polgar, tenho feito tratamentos mas as dores continuan, queria saber se com o tratamento das das celulas tronco daria resoltado
    E qual seria o custo do tratamento
    Obrigado
    Cristina Pires

  3. Maria Lenir Alves de Mello

    O meu amado esposo sofreu um acidente de moto a 3 anos e 4 meses e esta parcialmente inconsciente, moramos em uma cidade do interior e não temos muito recursos aqui, meu sonho que ele retome a consciência e fale, será que podem me ajudar pelo amor de DEUS, ele é jovem tem 33 anos, uma vida pela frente.

    att.

    um grande abraço, que DEUS os ilumine sempre.

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