Neurociências no contexto educacional-Revista Corpo e Mente-Dourados-MS

 

18/10/2016 17:06:45 | Atualizado em 18/10/2016 17:11:22

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Conhecimentos das áreas médica e biológica sobre o cérebro começam a ter aplicações pedagógicas nas escolas

Os professores Alfred Sholl-Franco (UFRJ) e Elizabete Castelon (UFGD) apresentam a ideia de criar as Olímpiadas de Neurociências em Dourados.

Como melhorar o desempenho escolar do estudante brasileiro? Sem ignorar problemas básicos da educação nacional, como a necessidade de melhorias das escolas e o desincentivo ao professor, as neurociências têm contribuições inovadoras a oferecer aos educadores. É essa área que estuda o funcionamento do sistema nervoso e, nela, se agrega um amplo conjunto de ciências, devido à complexidade das interações que envolvem qualquer atividade humana.Quase todas as atividades implicam em algum tipo de construção de conhecimento e, portanto, em transformação de estruturas biológicas. Basta o indivíduo ter contato com uma informação nova. “Quando estamos aprendendo desencadeamos uma série de transformações em nossas circuitarias sinápticas [ligações entre neurônios], por isso, construir conhecimento é um evento transformador para o indivíduo”, explica o professor doutor e neurocientista  Alfred Sholl-Franco, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Ele exemplifica que a capacidade de aprender é imensa, até mesmo um feto, ainda sem ter a audição formada, assimila o ritmo da língua de sua mãe. “Quando o bebê nasce, seu riso ou choro já apresenta uma cadência semelhante a da língua falada pela mãe, uma vez que o sistema nervoso já foi modificado pelas vibrações provenientes da fala materna”, disse.  E essa sensibilidade e capacidade de aprender dura a vida toda, segundo o professor Alfred Sholl.

Convidado para o Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão (ENEPEX 2016), promovido pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), em agosto, o professor se dedica a criar interfaces entre as neurociências e a educação, bem como à produção de materiais com conceitos de neurociências relevantes para o contexto educacional. Dedica-se ainda à difusão de conhecimentos neurocientíficos em várias frentes.

É um dos criadores e editor da revista eletrônica “Ciências & Cognição”, já há dez anos referência na área, e orientador de alunos de mestrado e doutorado, na área de neurociências. É também o idealizador de um curso de formação continuada em “Neuroeducação”, que é oferecido pela UFRJ duas vezes ao ano, nas férias.

Alfred Sholl foi pioneiro na realização, aqui no Brasil, da “Semana do Cérebro”, evento criado nos Estados Unidos, em 1995, para despertar vocações para a ciência entre os alunos da educação básica. Para ele, as crianças que desenvolvem mentalidade científica nessa fase terão aproveitamento muito melhor na escola, inclusive, em sua formação superior.

“Esta é uma iniciativa pública e privada, que tem por objetivo divulgar para a sociedade o que é produzido no meio científico”, explica o professor, ressaltando o papel da Semana do Cérebro na formação de uma consciência coletiva, de toda a sociedade, sobre a importância da educação científica, e falando da ampliação desse evento que teve sua primeira edição no Rio de Janeiro, em 2010, “já existem atividades no Brasil inteiro e, a cada ano, nosso grupo desenvolve uma temática diferente: em 2017 será ‘Entendendo ConsCiência, quando iremos trabalhar, sob  vários aspectos, as visões que temos sobre consciência”, contou.

Olímpiadas de Neurociências em Dourados

Além da Semana do Cérebro, o professor Alfred Sholl também organizou, pela primeira vez no país, as “Olimpíadas Brasileiras de Neurociências” (Brazilian Brain Bee), seguindo a ideia original de levar os conhecimentos em neurociências ao público leigo e aos professores. Ele adiantou que Dourados deverá participar do próximo campeonato, com provas locais.”

À frente desse projeto, está a professora Elisabete Castelon Konkiewitz, do curso de medicina da UFGD. Ela está em entendimento com a Secretaria Estadual de Educação para formalizar um projeto de extensão, inicialmente, para alunos de medicina desenvolverem nas escolas de ensino médio, o “Dia do Cérebro”, antes da Olimpíadas de Neurociências.

Acompanhe mais sobre Neurociência pelo site “www.cienciasecognicao.org” e pelo Blog Neurociência em Debate”.

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