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fev 18 2017

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Mente e cérebro: por dentro da Síndrome de Tourette , por Helder Freitas dos Santos: resenha do artigo “The role of the autonomic nervous system in Tourette Syndrome”

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The role of the autonomic nervous system in Tourette Syndrome.

Hawksley J, Cavanna AE, Nagai Y.Front Neurosci. 2015 May 27;9:117. doi: 10.3389/fnins.2015.00117. Review. PMID:26074752Free PMC Article

https://aegyokawaiisneurodiversityblog.wordpress.com/2015/02/17/cant-control-the-anatomy-of-tourette-syndrome/

https://aegyokawaiisneurodiversityblog.wordpress.com/2015/02/17/cant-control-the-anatomy-of-tourette-syndrome/

A Síndrome de Tourette (ST) é um transtorno caracterizado pela presença de tiques vocais e motores. Para o diagnósticos, estes tiques devem perdurar por pelo menos um ano e ter um impacto importante na vida do paciente.

tourette-a

A ST pode estar associada à baixa autoestima, ao comprometimento do rendimento escolar e à presença de dificuldades nas relações socioafetivas e familiares. Foi descrita pela primeira vez em 1825, pelo médico francês Jean-Marc Gaspard Itard, que atuava na Instituição Real para surdos-mudos de Paris. Os relatos de Itard referem-se ao estranho comportamento da Marquesa de Dampièrre, nobre francesa de 26 anos que emitia sons e proferia obscenidades, o que a obrigou a viver reclusa durante grande parte de sua vida.

De acordo com este estudo, a ST é mais comum do que o estimado historicamente, afetando entre 0,3 e 0,4% das crianças em todo o mundo, com alguns relatórios indicando uma prevalência de até um por cento da população geral. A ST é mais comum em crianças, sendo quatro vezes mais comum no sexo masculino.

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gânglios da base

Geralmente é aceito que a ST é causada por uma falha da ação inibitória dentro de um circuito córtico-estriato-tálamo-cortical que suprime impulsos premonitórios para o movimento. As alterações anatômicas e neuroquímicas que fundamentam as manifestações clínicas da ST não são claras.

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No entanto, vários estudos têm sugerido que alterações funcionais e estruturais nos circuitos em que os núcleos da base estão envolvidos, e em outros sistemas neuronais, desempenham um papel na complexa sintomatologia da doença.

 

circuitodabase

 

O córtex frontal, os gânglios basais e o tálamo desempenham um papel importante na coordenação e no controle motor. Enquanto o córtex motor e o pré-motor dão a ordem para o movimento voluntário, os gânglios da base atuam selecionando o padrão de movimento, ou o comando motor que será inibido e o que será liberado para a realização de fato.

 

Algumas investigações através de neuroimagem reveleram aumento na ativação em áreas motoras em pacientes com ST, em comparação com controles saudáveis.

Tourette-b

Estudos com diferentes técnicas de ressonância magnética (RM) e investigações eletrofisiológicas que exploraram a inibição neuronal identificaram alterações em áreas cerebrais no nível dos circuitos córtico-estriado-tálamo-corticais, que geram uma desinibição dos sistemas motores e límbicos, desconhecendo-se, no entanto, ainda a alteração subjacente a este déficit inibitório.

tourette

 

A ST é uma situação clinicamente complexa, que pode implicar em significativa incapacidade familiar e social. Os indivíduos que têm esta síndrome são muitas vezes mal compreendidos e a situação nem sempre é bem diagnosticada, dado que os sintomas surgem geralmente numa fase da vida particularmente vulnerável dos doentes-infância e adolescência. A abordagem terapêutica é multifacetada e implica na busca de novas estratégias.

Pacientes com ST geralmente relatam sintomas consistentes com o desequilíbrio do Sistema nervoso autônomo (SNA), sob a forma de hiperatividade simpática, como aumento de frequência cardíaca, da temperatura corporal, nervosismo e agitação. O SNA contêm nervos com fibras sensoriais e motoras que conferem controle aos mecanismos involuntários e vitais (funções vegetativas) fundamentais à homeostase (equilíbrio dinâmico do metabolismo) como a contração da musculatura lisa das vísceras, a secreção glandular, os ritmos cardíaco e respiratório. O SNA é dividido em Sistema nervoso simpático e Sistema nervoso parassimpático, dois conjuntos distintos de nervos que controlam, em geral, os mesmos órgãos de forma antagônica. Os nervos simpáticos têm ação de colocar o organismo em estado de prontidão e alerta em situações de estresse. Os nervos parassimpáticos atuam levando o organismo a um estado de relaxamento.

O aprendizado de técnicas de relaxamento pode atuar terapeuticamente em pacientes com ST, entretanto em alguns estudos apenas o relaxamento demonstrou não ser eficaz na redução da frequência dos tiques.  A terapia de relaxamento é muitas vezes composta por redução do tônus muscular, controle da respiração, no entanto normalmente falta o acompanhamento das medidas fisiológicas para elucidar os mecanismos de efeito terapêutico.

Biofeedback- Retroalimentação Biológica Biofeedback é um termo do inglês criado em 1969 para descrever o processo de leitura, armazenamento e amplificação de sinais fisiológicos emitidos por um organismo vivo e apresentação desse através de mecanismos e interfaces compreensíveis, como mídias. A retroalimentação em tempo real proporciona ao organismo a possibilidade de tomar consciência das informações obtidas e as aprimorar, através dos mecanismos de aprendizagem, treinamento e autorregulação. São retroalimentados sinais provenientes de diferentes sistemas que formam o organismo, mas não limitados a esses: Sistema Nervoso Central (SNC) NEUROFEEDBACK, Sistemas Nervosos: Periférico (SNP) e Autônomo (SNA) BIOFEEDBACK. Texto disonível em:http://conferencia2015.abbio.com.br/institucional/biofeedback/ Mais informações: http://www.requiemsaint.com/modern-use-of-biofeedback/

Biofeedback-
Retroalimentação Biológica
Biofeedback é um termo do inglês criado em 1969 para descrever o processo de leitura, armazenamento e amplificação de sinais fisiológicos emitidos por um organismo vivo e apresentação desse através de mecanismos e interfaces compreensíveis, como mídias. A retroalimentação em tempo real proporciona ao organismo a possibilidade de tomar consciência das informações obtidas e as aprimorar, através dos mecanismos de aprendizagem, treinamento e autorregulação. São retroalimentados sinais provenientes de diferentes sistemas que formam o organismo, mas não limitados a esses: Sistema Nervoso Central (SNC) NEUROFEEDBACK, Sistemas Nervosos: Periférico (SNP) e Autônomo (SNA) BIOFEEDBACK.
Texto disonível em:http://conferencia2015.abbio.com.br/institucional/biofeedback/
Mais informações: http://www.requiemsaint.com/modern-use-of-biofeedback/

Além das diferentes técnicas de relaxamento, a modulação do sistema nervoso autônomo também pode ser realizada
através da estimulação do nervo vago (ENV) e através de biofeedback. O ENV funciona com auxílio de um dispositivo pulsátil, que, ao estimular eletricamente o nervo vago, modula diretamente sinais aferentes interoceptivos, que são mensagens da periferia (dos terminais nervosos que aferem o estado dos órgãos internos, como frequência cardíaca, pressão arterial, motilidade gastro-intestinal, pH do sangue) para o sistema nervoso central. Alguns estudos relataram melhorias através de ENV nos sintomas motores e vocais em pacientes com ST, entretanto a eficácia deste tratamento não foi confirmada até o momento por estudos clínicos sistematizados.

A terapia com biofeedback é realizada colocando-se eletrodos sobre a pele que recobre um músculo. Estes eletrodos captam e transmitem ao computador um sinal eletromiográfico que corresponde à resposta do músculo contraído. Este sinal é transformado em linhas luminosas com variedade de cores na tela do computador, permitindo ao paciente visualizar o grau de contração ou de relaxamento do grupo muscular trabalhado.  É esperado que o paciente vá aos poucos obtendo maior controle e consciência da contração e do relaxamento muscular. É um método altamente estimulante para o paciente e com evidências de resultados na literatura.

            Esses estudos fornecem suporte variável para a noção que ambos os sistemas nervosos simpático e parassimpático podem ser mais elucidados, para assim descobrir sua influencia na expressão dos tiques, bem como sua frequência. No entanto faltam dados conclusivos, refletindo limitações experimentais, e a complexidade funcional da ST, o que torna difícil diferenciar o funcionamento autônomo dos pacientes a partir de controles saudáveis.

 

Referências

 

Lantyer, Angélica da Silva, Viana, Milena de Barros, & Padovani, Ricardo da Costa. (2013). Biofeedback no tratamento de transtornos relacionados ao estresse e à ansiedade: uma revisão crítica. Psico-USF, 18 (1), 131-140.

 

Muñoz S, R. L., Júnior, E. D. F., Neto, N. G. P., & Rocha, A. B. (2012). Psicocirurgia: revisão integrativa sob o prisma neuroético Psychosurgery: integrative review from a neuroethical perspective. Revista Brasileira de Bioética, 8, 1-4.

 

Oliveira, A., & Massano, J. (2012). Síndrome de Gilles de La Tourette: Clínica, diagnóstico e abordagem terapêutica. Arquivos de Medicina, 26 (5), 211-217.

 

Serratrice, J., Verschueren, A., & Serratrice, G. (2013). Sistema nervoso autonomo. EMC-Neurologia, 13 (2), 1-17.

Link permanente para este artigo: http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=3542

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