mar 12 2018

A oxitocina e a ansiedade social, por Ana Claudia Piccinelli. Resenha do artigo Oxytocin in General Anxiety and Social Fear: A Translational Approach. NEUMANN, I. D.; SLATTERY, D. A. Biol Psychiatry, Jun 2015.

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Dentre as doenças psiquiátricas mais comuns estão aquelas relacionadas à ansiedade, descritas com prevalência de até 30%. Normalmente são prescritos como tratamento benzodiazepínicos, beta-bloqueadores, antidepressivos e psicoterapia. Entretanto, esses tratamentos levam apenas a uma melhora parcial. Além disso, as taxas de recorrência dos sintomas são elevadas.

 

 Critérios para o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social ou Fobia Social segundo a CID-10:

  • Medo de escrutínio pelas outras pessoas que leva à evitação de situação sociais. As fobias mais pervasivas são frequentemente associadas com baixa autoestima e medo de ser criticado.
  • Os pacientes podem apresentar uma queixa de rubor facial, tremor das mãos, náusea, ou urgência urinária, algumas vezes se convencendo de que uma destas manifestações secundárias de sua ansiedade é o problema primário.
  • Os sintomas podem progredir para ataques de pânico.

O transtorno de ansiedade social (TAS), também conhecido como
fobia social) é o transtorno de ansiedade mais comum. Tipicamente  se inicia na
infância ou na adolescência e, em termos de intensidade, pode ser
considerado leve, moderado ou grave. 

 

Na década de 70 havia um interesse voltado para estudos com a oxitocina e a arginina-angiopressina, pesquisando seus efeitos sobre o comportamento materno e a memória. Na década de 90 os esforços se voltaram para a oxitocina com a descoberta de suas propriedades ansiolíticas e anti-estressantes. Estudos em roedores descrevem que, em casos de modelos animais de  stress, como ambiente novo, nado forçado ou frustração social, ocorre aumento rápido do nível de oxitocina no plasma e em regiões límbicas do cérebro (Campos et al., 2013). Quando liberada, a oxitocina age principalmente na modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e na atenuação da resposta de medo.

Existem relações farmacológicas que demonstram o efeito ansiolítico da oxitocina sintética ou endógena em roedores. Em estudos clínicos realizados em humanos foi observado que a concentração de oxitocina no plasma depende do estado de saúde mental e do sexo do individuo (Sobota et al., 2015).

A hiperatividade da amígdala é demonstrada em casos de memória traumática e síndrome do pânico. Estudos com roedores demonstraram que a administração de oxitocina em infusão antes de testes de estimulo condicionado e incondicionado facilitam a extinção do medo.

Na conclusão, o autor levanta a possibilidade de que indivíduos sócio-competentes tenham alta expressão de oxitocina, em contraposição aos indivíduos com tendência à esquiva e à ansiedade social.

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Ana Claudia Piccinelli

Possui graduação em Farmácia pelo Centro Universitário da Grande Dourados (2009) e mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade Federal da Grande Dourados (2014). Atualmente realiza doutorado pela Universidade Federal da Grande Dourados. Tem experiência na área de Farmacologia e Toxicologia de Produtos naturais, atuando nos seguintes temas: inflamação, neuroinflamação, dor, dor neuropática e depressão.

Referências

CAMPOS, A. C.  et al. Animal models of anxiety disorders and stress. Rev Bras Psiquiatr, v. 35 Suppl 2, p. S101-11,  2013.

SOBOTA, R.  et al. Oxytocin reduces amygdala activity, increases social interactions, and reduces anxiety-like behavior irrespective of NMDAR antagonism. Behav Neurosci, v. 129, n. 4, p. 389-98, Aug 2015.

 

 

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