VII SILC – Seminário Integrado Linguagem e Cognição UFAL, Maceió 23-27/07/2018

https://sites.google.com/site/silcufal/home/vii-silc

Nesta sétima edição, contaremos com o destacado filósofo Otávio Bueno (http://www.as.miami.edu/personal/obueno/Site/Otavio_Bueno.html). Ele é professor e pesquisador da University of Miami, EUA. 

Aproveitamos a ocasião para apresentar à comunidade o estado da arte das pesquisas de alguns professores e de alunos de PIBIC do curso de Filosofia vinculados ao nosso grupo “Linguagem e Cognição” em atividades variadas.

Visite a página do nosso grupo!

http://linguagemecognicaoufal.blogspot.com.br

Para maiores informações, favor escrever para o Prof. Marcos Silva: marcossilvarj@gmail.com

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Para a inscrição de ouvintes, por favor, escreva para: ufal.silc@gmail.com

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O VII SILC é evento satélite da 70ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na UFAL. Nosso evento também está vinculado ao programa de Lectures da Sociedade Brasileira de Filosofia Analítica (SBFA).


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Programação do VII SILC:

Todas as atividades serão no Auditório do ICHCA/UFAL.

23/7/2017 – Segunda-Feira

13h15 – Abertura

13h30 – 14h30- Prof. Dr. Marcus José (UFAL): Revisitando o Argumento da Linguagem Privada de Wittgenstein

14h45 – 15h15- Luiz Henrique Santos (UFAL): Critérios de Ação e Verdade: Contra o Neopirronismo

Pausa

15h30 – 16h00 – Acácio Ferreira (UFAL): Brandom e o Antirrealismo Acerca dos Princípios Lógicos

16h00 – 16h30 – Cinthya Fernandez (UFAL): Consequências da Noção de Lógica como um Jogo

 

16h30 – 17h30 – Profa. Dra. Juliele Sievers (UFAL): Contradições sobre Normas em Conflito

Pausa

18h00-19h00 – Prof. Dr. Otávio Bueno (University of Miami): Sobre o nominalismo em Filosofia da Matemática 

24/07/2018 – Terça-feira

13h30 – 14h30- Prof. Dr. Ricardo Rabenschlag (UFAL): Desafios do naturalismo contemporâneo

14h45 – 15h15 – Deyvisson Fernandes (PUC-RJ): Em defesa de um anti-representacionalismo moderado

Pausa

15h30 – 16h00 – Iana Cavalcanti (UFPE): Enativismo e suas consequências filosóficas: corpo, mente, ação e

mundo

16h00 – 16h30 – Danilo Calheiros (UFAL): Sobre a visa cientificista de mundo na filosofia da mente

16h30 – 17h30 – Prof. Dr. Marcos Silva (UFAL): Converta o rei! Sobre conflitos lógicos entre realistas e anti-realistas

Pausa

18h00-19h00 – Prof. Dr. Otávio Bueno (University of Miami): Sobre a revisão da lógica

25/7/2018 – Quarta-feira

15hs – 18hs Primeiro dia  Minicurso “Ceticismo e Naturalismo: Empirismo” (Prof. Otavio Bueno)

26/7/2018 – Quinta-feira

15hs – 18hs Segundo dia  Minicurso  “Ceticismo e Naturalismo: Neopirronismo” (Prof. Otavio Bueno)

27/07/2018 – Sexta-feira

15hs – 18hs Terceiro dia  Minicurso – “Ceticismo e Naturalismo: Aplicações” (Prof. Otavio Bueno)


Resumos das falas do Prof. Otavio Bueno:

“Sobre o Nominalismo em Filosofia da Matemática”

Segundo o nominalismo, objetos abstratos, como números, funções ou conjuntos, não existem (ou o compromisso ontológico com os mesmos não é exigido). Segundo o platonismo, tais objetos existem. Nesse trabalho, apresento razões segundo as quais não é claro como decidir quais dessas duas posições é verdadeira. Para tanto, examinarei diversas estratégias de nominalização da matemática (ficcionalismo, estruturalismo modal, nominalismo deflacionário e metaontologia carnapiana) e indicarei dificuldades que todas essas propostas enfrentam. Considerarei também diversas versões do platonismo (tradicional, estruturalista, pleno, e neofregeano) e indicarei os problemas que tais propostas também possuem. Não é claro, concluo, como decidir essa questão: uma atitude neopirrônica sobre a ontologia da matemática surge. 

“Sobre a Revisão da Lógica”

Segundo a concepção tradicional, as leis lógicas não podem ser revistas, não mais do que as leis da natureza podem ser alteradas. Nesse trabalho, contesto a adequação dessa concepção. Tal como não há leis da natureza, mas somente regularidades empíricas, não há leis lógicas, mas apenas princípios locais de inferência. Como resultado, as “leis” lógicas podem ser revistas. Indico um mecanismo para descrever essa revisão no contexto de uma concepção empirista da lógica e da ciência.

“Ceticismo e Naturalismo: Empirismo”

Iniciaremos o curso examinando uma tipologia acerca das conexões entre empirismo e ceticismo, considerando diversas características do empirismo e algumas de suas formas, bem como características do ceticismo e algumas de suas versões. As conexões entre empirismo e ceticismo serão então estabelecidas bem como o papel do naturalismo nas mesmas. 

“Ceticismo e Naturalismo: Neopirronismo”

Apresento algumas formulações do neopirronismo, como uma forma de investigação cética que partilha das características centrais do pirronismo mas busca articular um componente positivo: a compreensão que resulta da investigação cética. Uma breve história do ceticismo e do neopirronismo será apresentada para se delinearem as questões a serem tratadas. 

“Ceticismo e Naturalismo: Aplicações”

A atitude neopirrônica será aplicada a diversos domínios de investigação, em particular, à lógica, à matemática e às ciências. Em cada caso, a forma de compreensão resultante do neopirronismo será salientada e articulada. 


Resumos das demais apresentações:

Revisitando o Argumento da Linguagem Privada de Wittgenstein 
Marcus José Alves de Souza 


A proposta desta comunicação é fazer uma reflexão acerca do assim conhecido argumento da (contra) linguagem privada, como apresentado nas Investigações Filosóficas de Wittgenstein. Pretende-se mostrar alguns dos antecedentes teóricos do argumento, indicar dimensões importantes do argumento, apresentar algumas das recepções do argumento no contexto filosófico e, ainda, refletir sobre os desdobramentos que apontam para avaliação o papel que o argumento ocupa na construção de uma “filosofia da mente” de Wittgenstein.

Critérios de Ação e Verdade: Contra o Neopirronismo
Luiz Henrique da Silva Santos

O discurso neopirrônico de Porchat (1991) traz a constatação de que, pela falta de um critério neutro que valide a verdade de sistemas filosóficos, é impossível a colocação de qualquer tese que seja. O cético não teria, desse modo, teses filosóficas, mas uma atitude que pode ser elucidada. A dita fase positiva ou prática da atitude do neopirrônico é composta por um momento fenomênico, relacionado intimamente com a ideia de bíos ou vida comum. Na base da explicação para essa noção figura uma distinção entre critério de verdade e critério de ação. Apresentamos essas noções elencadas pelo cético a fim de avaliá-las criticamente. Desse modo, a partir de uma abordagem pragmatista, argumentaremos a favor de que as noções sejam entendidas de uma maneira diferente. Defendemos que, apesar de comporem instâncias normativas distintas, os critérios não são opostos, mas complementares. O critério de verdade nós identificamos com o que chamamos de caráter de regra da simplicidade. A partir dessa abordagem, poderia ser o caso que o caráter de regra fosse tomado como um (de vários) critério(s) de ação. Uma consequência dessa complementaridade é a tomada do realismo metafísico de Frege (1918) como a expressão de uma concepção na qual o critério de ação é reduzido ao caráter de regra. Procuramos mostrar que o trabalho filosófico caracterizado por essa redução se dá no interior da própria bíos, de maneira tal que mesmo o filosofar clássico faz parte da vida comum.

Brandom e o Antirrealismo Acerca dos Princípios Lógicos
Acacio Ferreira

Nesta comunicação, viso apresentar um projeto de pesquisa que tem por objetivo afirmar que a abordagem elaborada e defendida pelo filósofo Robert Brandom acerca da natureza da lógica e dos princípios lógicos é uma abordagem antirrealista. Na filosofia da lógica, abordagens que defendem a visão de que constantes lógicas denotam objetos abstratos da realidade e que, portanto, princípios lógicos descrevem os aspectos mais fundamentais da realidade, isto é, sua estrutura última, são consideradas abordagens realistas. Por outro lado, abordagens que rejeitam tal visão, são consideradas abordagens antirrealistas. Brandom propõe que concebamos a lógica em termos de expressão, na qual, o vocabulário lógico básico teria o papel não de representar algo da realidade, mas sim de tornar explícito as relações inferenciais implícitas em nossas práticas semânticas. Para Brandom, os princípios lógicos emergem de nossas práticas semânticas, com o intuito de exercer um papel normativo para com as mesmas, são critérios que usamos para avaliar e corrigir nossas práticas de usar conceitos. Neste projeto, buscaremos construir argumentos que endossem a tese levantada.

Consequências da Noção de Lógica como um Jogo 
Cinthya Daniele da Silva Fernandes

Em 1929’30, discussões entre Ludwig Wittgenstein com membros do Círculo de Viena compuseram o Wittgenstein und der Wiener Krei (1967). Dentre os diversos temas debatidos nessa obra, algumas metáforas de jogos se encontram presentes como ferramentas de compreensão de alguns aspectos da lógica, como por exemplo, na crítica do Wittgenstein intermediário ao programa de David Hilbert. Um outro autor que também é citado nas WWK, é Gottlob Frege, este também faz uso de metáforas de jogos em suas críticas aos formalistas. Desse modo, temos por objetivo compreender o contexto das discussões acerca da noção de jogo, inserida nos debates do WWK. Para isso, buscamos identificar as diferenças nos usos de metáforas que envolvem jogos usadas por Frege e Wittgenstein, a fim de desenvolver possíveis consequências de suas aplicações.

Contradições sobre Normas em Conflito
Juliele Sievers

A questão do conflito entre normas é um tema central em Filosofia do Direito, e muitas vezes mal-compreendido por juristas ou filósofos que tomam o caso do conflito como sendo uma contradição entre normas. Nesta apresentação, abordaremos quais as diferenças entre a contradição lógica e o conflito normativo, explicando qual é o modo específico que o âmbito do Direito emprega para solucionar o caso das chamadas antinomias jurídicas.

Converta o rei! Sobre conflitos lógicos entre realistas e anti-realistas

Marcos Silva

Here I address the following questions: how can we rationally justify our logical principles if the very possibility of rational justification presupposes them? How can we use reason to ground a set of basic principles of reason as the correct one without circularity or any infinite regress? My proposal aims at developing some tenets presented in Wittgenstein’s On Certainty by offering an integrated pragmatist view about the possibility of non-classical logics and logical pluralism. I then apply Wittgenstein’s hinge epistemology and his anti-realism into the discussion about rival logics. Accordingly, I reject a realist approach to logic and propose a view in which the nature of logical principles is related to Moorean propositions. I aim to show that, if logical principles are to be taken as Moorean propositions, we have to acknowledge the role that education, institution, and conversion play in our inferential practices.

Desafios do Naturalismo Contemporâneo
Ricardo Rabenschlag

Contemporaneamente, o debate entre fisicalistas reducionistas e não reducionistas concentra a maior parte da atenção dos filósofos que defendem o naturalismo metafísico ou ontológico. Após uma breve exposição dos principais argumentos de ambos os lados desta longa controvérsia, faremos uma avaliação crítica sobre a pertinência deste debate, com base numa apreciação mais ampla do naturalismo ontológico moderno e das suas relações com a tradição metafísica clássica.

Em defesa de um anti-representacionalismo moderado

Deyvisson Fernandes

Recentemente, alguns filósofos da mente e cientistas da cognição vêm desenvolvendo tendências alternativas àquelas até então bem estabelecidas, a fim de reconceber a natureza da cognição. Nesse cenário, três apostas foram feitas, quais sejam: a (i), e, para muitos, a mais intuitiva, foi a representacionalista, que define a mente essencialmente em termos de manipulação de conteúdo representacional; a (ii) foi a anti-representacionalista (radical), que sustenta que nossos atos cognitivos não envolvem conteúdo de algum tipo; por fim, a (iii), que eu chamei aqui de “anti-representacionalista moderada”, assegura que representação não é o traço definidor [constitutivo] da cognição. Além disso, a aposta (iii) afirma que existem algumas formas de cognição que representam o mundo de um modo que pode não corresponder ao que o mundo é, ou seja, formas de cognição que assumem condições de correção. Longe de ser uma posição sobre todas as formas de cognição (como ‘i’ e ‘ii’, por exemplo, são), o anti-representacionalismo moderado aceita aspectos positivos de ambas as visões (‘i’ e ‘ii’), ao passo que se distancia das suas confusões conceituais, oriunda dos seus radicalismos. Partindo de alguns pressupostos da filosofia de Hutto & Myin (especialmente 2013; 2017), eu sustentarei que temos boas razões para aceitar a aposta (iii). Como um resultado, a aposta (iii), ao menos na minha formulação, deve apontar para um possível caminho para reconcebermos a natureza fundamental da cognição. Assim, nesse processo de reconcepção, o anti-representacionalista moderado deve lidar satisfatoriamente com os seguintes problemas: I. O que ganhamos, especialmente no âmbito explanatório, se aceitarmos essa “reconcepção” pretendida pelos jogadores da aposta (iii)? II. Qual é o status epistêmico do anti-representacionalismo moderado? III. O que significa perceber sem representar? IV. Quais são os limites do anti-representacionalismo moderado? V. Como o anti-representacionalista moderado explica o surgimento de estados cognitivos representacionais? VI. Como entender a possibilidade do erro na percepção nessa versão moderada de anti-representacionalismo?


Enativismo e suas consequências filosóficas: corpo, mente, ação e mundo

Iana Cavalcanti

O Enativismo Radical (Hutto e Myin, 2013 e 2017) defende que é possível haver mentes básicas sem conteúdo, isto é, que nem toda cognição é representacional, enquanto o Enativismo Moderado pensa na cognição como representacional orientada pela ação. Nesta comunicacao abordaremos estas posições do espectro Enativista e mostraremos como e por que são de relevante importância para entender uma das mais fortes demandas atuais da filosofia e ciências da mente em torno do papel do corpo e do ambiente natural para a cognição humana.

Sobre a visa cientificista de mundo na filosofia da mente

Danilo Calheiros

Em seu paper “Como é ser um morcego”, o filósofo americano Thomas Nagel (1974) reagiu, grosso modo, à visão cientificista de mundo, que sustenta que a realidade deve ser descrita em termos fundamentalmente físicos. No cerne da sua sugestão está a defesa de que mesmo uma descrição completa [em termos fisicalistas] não é suficiente para dar conta da natureza subjetiva (o “como que é ser” de cada organismo) de um dado organismo. Nesse sentido, mesmo que tivéssemos uma descrição completa (em termos fisicalistas) do morcego, algo seria deixado de fora, a saber: o aspecto subjetivo do que é ser morcego. Seguindo essa posição, John Searle (1992) defende que nem toda realidade é ontologicamente redutível. Ou seja, Searle entende que os fenômenos mentais possuem uma ontologia especial dentre todos os fenômenos físicos no mundo, qual seja: ontologia de primeira pessoa (subjetiva). Assim, ao contrário da ontologia objetiva (de terceira pessoa), a ontologia de primeira pessoa (subjetiva) depende do sujeito para que ela exista. Contudo, uma grande questão permanece sem resposta satisfatória: como estudar os estados mentais subjetivos de maneira objetiva no mundo real? Assim, pretendemos mostrar nesse trabalho que, embora uma teoria fisicalista não dê conta dos aspectos subjetivos da mente, a posição de Searle deve enfrentar sérios desafios para se manter como uma alternativa.

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