Ansiedade generalizada, o medo da vida e o desejo de controle, por Elisabete Castelon Konkiewitz

No fundo, no fundo, ansiedade é medo. E assim, o transtorno de ansiedade generalizada corresponde ao medo generalizado, ou seja, uma sensação desagradável de apreensão e insegurança, por vezes mais consciente, por vezes subliminar, porém sempre presente. Em alguns, a experiência é predominantemente psíquica, com preocupações contínuas, insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e memória; em outros, predominam os sintomas físicos, como sudorese fria, palpitações, “frio na barriga”, etc.

Obviamente muitos dos nossos medos são justificáveis, pois, de fato, a vida é imprevisível e em si arriscada. A qualquer momento, podemos sofrer um acidente grave, perder um ente querido, adoecer, fazer um mau negócio, ser envolvidos em litígios judiciais, ser vítimas de assédio, calúnias e difamação, etc. Tudo o que temos e com que nos identificamos pode se perder para sempre num segundo. Lidar com a transitoriedade e fugacidade da vida gera angústia em todos nós e muitas são as formas que usamos para lidar com isso.

Na maior parte do tempo, lutamos para não pensar na nossa condição e buscamos nos distrair com os vários conteúdos do cotidiano. O problema é que, apesar dessa repressão, a consciência dos perigos, riscos e vicissitudes e a consciência da morte persistem.  Nesse contexto, a manifestação da ansiedade pode ser consequência da ilusão de que se conseguirmos ter o controle de tudo, ter em mente todas as possibilidades, prevenir todos os reveses, conferir todos os detalhes, a vida deixará de ser perigosa. Assim, ansiedade generalizada se associa a um comportamento inflexível, controlador e perfeccionista.

Tudo aquilo que tem um começo tem um fim.

Faça as pazes com isso e tudo ficará bem”.

Gautama Buddha

É claro que planejar e fazer o melhor de si são necessários para o sucesso dos nossos empreendimentos. O problema está na mente aprisionada pelo perfeccionismo, no medo e nas fantasias catastróficas que paralisam nossas ações e geram tanto sofrimento desnecessário.

O tratamento inclui o uso de medicação, pelo seu efeito rápido que interrompe o círculo vicioso das más experiências que vão se acumulando e aumentando cada vez mais o medo e as convicções negativas. Técnicas de respiração e relaxamento podem auxiliar muito nos momentos de crise, todavia elas precisam ser treinadas intensamente para que possam ser aplicadas quando necessárias. Ainda assim, o transtorno de ansiedade exige uma abordagem mais profunda que envolve a psicoterapia e a espiritualidade. É preciso rever os traumas pregressos, os valores e preconceitos sedimentados, a visão de si mesmo e do mundo.

Superar o transtorno de ansiedade significa aceitar-se a aceitar a vida, tendo a clara visão da transitoriedade de tudo, significa ganhar um distanciamento interno das circunstâncias, significa fazer o seu melhor no presente e entregar os resultados futuros a Deus.

“Espera no Senhor e faze o bem;

habitarás a terra em plena segurança”.  (Salmo 36,3)

 “Em meu quarto, encontrei dentro de um lindo recipiente um naviozinho que trazia o Menino Jesus a dormir, com uma bolinha ao Seu lado. Sobre a vela branca escrevera Celina estas palavras: “Eu durmo, mas o meu coração está de guarda”, e sobre a embarcação, esta única palavra: “Abandono!”  –Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face-em História de uma alma

É médica, tem doutorado em Neurologia realizado na Alemanha, tem especialização em duas áreas – Neurologia e Psiquiatria, atua como professora associada da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), onde também é pesquisadora. Ela possui mais de 25 anos de experiência e é autora de diversas obras, entre livros e artigos científicos.

Nascida em Marília-SP em 1970, onde frequentou o Colégio Sagrado Coração de Jesus e o Colégio Cristo Rei, Elisabete Castelon Konkiewitz foi aprovada em 1987 no vestibular da FUVEST para a Escola Paulista de Medicina (atual UNIFESP). Morou por 6 anos em São Paulo, concluindo a graduação em Medicina em 1993.
Em seguida, morou 9 anos na Alemanha, onde realizou suas especializações em Psiquiatria (Bezirkskrankenhaus Haar bei Mϋnchen) e em Neurologia (Rehabilitationsklinik Bad Gögging e Technische Universität München). Em 2002 adquiriu o título de Doutora em Neurologia pela Technische Universität München e retornou ao Brasil.

Após ter vivido 5 anos em Marília-SP, Elisabete Castelon Konkiewitz mudou-se para Dourados a fim de assumir o concurso de professora universitária pela UFGD.

Possui título de especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria e título de especialista em Neurologia pela Academia Brasileira de Neurologia. Desde 2008 é professora associada da Faculdade de Ciências da Saúde na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), onde também é parte do programa de pós-graduação. Sua pesquisa é voltada para os efeitos do vírus HIV no sistema nervoso central e as relações entre trauma na infância, memória traumática, depressão, neuroinflamação e infecção pelo HIV.
 
Publicou alguns livros na área de neurodesenvolvimento aprendizado, dentre eles Altas Habilidades/Superdotação, Inteligência e Criatividade – Uma Visão Multidisciplinar, laureado com o prêmio Jabuti em 2015, Autism Spectrum, Creativity and Emotions: A New Point of View Through Camila Falchi’s Work e, por último, Neuro Adventure: Autism, Art, and the Brain, em 2019.
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