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jul 12

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Como atua a Nicotina no Cérebro?

Olá, nosso papo hoje é sobre os efeitos da Nicotina no cérebro. Muita gente fala dos efeitos prejudiciais da nicotina na saúde das pessoas e que ela vicia, mas você sabe como ela age em nosso cérebro? Então, vamos descobrir.

Bem, a primeira coisa que precisamos entender é que o Cérebro é composto pro bilhões de células nervosas, também chamadas de neurônios. Estas células se comunicam entre si através de elementos químicos. Comunicação através de química? Sim, é isso mesmo. Pode parecer complicado, mas não é. Vamos fazer o seguinte, basta ir acompanhando na imagem ao lado.

Comunicação nervosa: neurotransmissores e receptores na região da sinapse

As células nervosas liberaram uma espécie de mensageiro químico chamado neurotransmissor (representados pelos triângulos amarelos com o número 1 na figura). Cada neurotransmissor é como uma chave que se encaixa em uma fechadura chamada receptor e que está localizado na superfície das células nervosas. Quando um neurotransmissor encontra o seu receptor, ele ativa a célula nervosa que contém esse receptor (ver o número 2 na figura), desencadeando uma resposta. Sim, e a Nicotina?

Bem, a molécula de Nicotina imita o papel de um neurotransmissor chamado acetilcolina. O nome é meio estranho, mas tem cada nome estranho em qualquer lugar, não é mesmo? A acetilcolina e seus receptores estão envolvidos em muitas funções, incluindo o movimento muscular (braços, pernas, rosto e outros), e também na respiração, na frequência das batidas do coração, no aprendizado e na memória. Age também na liberação de hormônios que afetam o estado de ânimo, o apetite e uma porção de outras coisas. Ok?

Bem, quando a Nicotina atinge o cérebro, ela se junta aos receptores de acetilcolina e imita suas ações, ela também ativa áreas do cérebro envolvidas na produção de sensações de prazer e gratificação. Como ela faz isso? Ah, sim, a Nicotina aumenta os níveis de um neurotransmissor chamado dopamina nas partes do cérebro que produzem essas sensações de prazer e gratificação. É isso que vai causar o vício (você sabia que o nome técnico para “vício” é “adição”? Senão sabia, agora já sabe.).  Isso ajudaria a explicar porque é tão difícil deixar de fumar.

Fácil de começar difícil de deixar 

Sabia que a nicotina é tão viciadora como a cocaína ou heroína? Quando se usa nicotina repetidamente, como quando se fuma cigarros, o corpo desenvolve uma tolerância a ela, ou seja, vai se habituando com a quantidade de nicotina no organismo. Quando se desenvolve uma tolerância, é necessário cada vez mais quantidade da droga para se sentir o mesmo efeito. Uma vez viciado no ciclo de assimilar a substância e desenvolver tolerância e aumentar a dose é muito difícil deixar o hábito. Pessoas que começaram a fumar antes dos 21 anos de idade, por exemplo, têm mais dificuldade em deixar de fazê-lo, e só uma em cada dez pessoas que decide parar de fumar consegue obter êxito. Logo, o melhor é não começar.

Quando as pessoas viciadas em nicotina deixam de fumar, podem passar por diversas dificuldades: ansiedade, fome, depressão, dor de cabeça e outras sensações desagradáveis. Estas sensações são conhecidas como “sintomas da síndrome de abstinência” porque ocorrem quando a pessoa se abstêm de ingerir a nicotina.

Os sintomas da síndrome de abstinência podem ser desagradáveis, porém fumar por longo tempo pode ser ainda muito pior, pois eleva a pressão arterial, diminui os sentidos de olfato e de paladar, reduz a energia e enruga a pele. E o que pode ser ainda mais perigoso é que fumar por longo tempo pode provocar coisas mais graves como um ataque no coração, enfisema e câncer, todos os casos podem ser fatais. No cérebro, os efeitos mais graves são derrame cerebral e surgimento de tumores.

É surpreendente, mas o uso da nicotina (fumar cigarros, mascar tabaco, etc.) causa ainda mais enfermidades e mortes que todas as outras drogas de dependência combinadas. Uma a cada seis mortes nos Estados Unidos são resultado do hábito de fumar tabaco. Apesar disso, mesmo enfrentando o risco de morte, muitas pessoas continuam consumindo nicotina porque estão viciadas. E uma coisa que é inacreditável é que as estatísticas mostram que metade dos fumantes que tem um ataque do coração continuam fumando ainda que o médico lhes tenha advertido que devem parar. Dá para acreditar?

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Adaptação de texto de divulgação científica do Instituto Nacional sober el Abuso de Drogas (Institutos Nacionales de la Salud)

Por Clarisse da Silva Baptista

Imagens cedidas, sob licença, por FreeDigitalPhotos.net

Link permanente para este artigo: http://cienciasecognicao.org/neuroteen/?p=155

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