INTRODUÇÃO
Nota editorial (2026-10-03): introdução histórica de uma cartilha para pais e professores. Esta página reproduz apenas a introdução disponível no backup. O conteúdo integral do arquivo DOC vinculado não foi conferido nesta edição; a disponibilidade do download será identificada no próprio link. As orientações gerais não substituem avaliação individual da criança.
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Crianças são como uma semente: já contêm todo o potencial do que virão a ser, mas este potencial só se tornará realização, quando as condições o permitirem. Assim como cada semente precisa de solo, nutrientes, luz e umidade na medida certa para o seu desenvolvimento, cada criança, pelas suas particularidades, merecerá o seu cuidado.
Uma grande árvore suporta muitos maus tratos, mas a plantinha precisa de proteção. Os primeiros cuidadores são os pais, ou as pessoas que ocupem este lugar. Em seguida, vem a escola. Desta forma família e escola são o mundo da criança.
Todos nós ouvimos falar de crianças com dificuldade de aprendizado, crianças agressivas, violentas, sem limites, crianças que torturam as outras, enfim crianças com sérios distúrbios. Esta situação faz surgir nos pais um sentimento de culpa, por não saberem a origem do problema, um sentimento de incapacidade, por não saberem o que fazer, mas também um sentimento de revolta diante daqueles que não aceitam seu filho, diante dos profissionais que não se empenham em ajudar e diante da vida como um todo, que então lhes parece injusta. Também há familiares que têm dificuldade em reconhecer os problemas, atribuem suas causas a outras pessoas ou se afastam, e precisam de acolhimento e orientação.
O professor, por sua vez, deparando-se com uma criança com problemas de comportamento e aprendizado, sente-se, de início, talvez até estimulado com um novo desafio, mas muito rapidamente percebe seus limites em poder ajudá-la. Ele, muitas vezes, não encontra recursos disponíveis, seja em relação ao material didático, seja pela falta de espaços adequados para realização de atividades especiais, seja pelo fato de ter que se desdobrar entre a atenção exigida pela criança e as inúmeras outras na sala de aula. Outra dificuldade é não ter acesso a outros profissionais que poderiam orientá-lo em como melhor lidar com a criança. O professor se vê diante de um problema para o qual não foi preparado durante a sua formação acadêmica, pois estas crianças com transtornos de comportamento e aprendizado precisam de avaliação de profissionais da saúde. Só assim poderá ser estabelecida a natureza da sua dificuldade e uma estratégia adequada de apoio e tratamento.
As causas dos transtornos de aprendizado e comportamento da criança são inúmeras: pode haver uma alteração neurológica, como na paralisia cerebral, uma alteração psiquiátrica, como na depressão e, na maioria das vezes, uma combinação de transtornos. Assim, uma única criança pode ter ansiedade, depressão e dificuldade de alfabetização, ou hiperatividade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e tiques, ou problemas sérios de conduta e déficit intelectual.
O desempenho escolar de uma criança depende de fatores constitucionais, como as suas capacidades, suas dificuldades e o seu potencial, mas também da relação que ela consegue estabelecer nos ambientes em que vive, ou seja, na escola e na família. A forma como os pais e os professores orientam, ensinam, corrigem e respondem às necessidades e anseios da criança é decisiva para um resultado de sucesso, ou fracasso.
Sendo assim, a intenção desta cartilha é fornecer aos pais e professores algumas orientações básicas no manejo de crianças com transtornos de aprendizado e comportamento. No entanto, estas mesmas orientações são válidas para todas as crianças de um modo geral.
Houve uma preocupação em usar uma linguagem bastante acessível e desprovida de termos técnicos, mas, apesar de o texto ser simples e informal, o seu conteúdo é baseado nos resultados de estudos científicos das áreas da medicina e da psicologia.
Boa leitura!
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