Multimídia e pandemia como promotores de transformação cerebral

Comunicação “Multimídia e pandemia como promotores de transformação cerebral” apresentada pela Profa. Dra. Elisabete Castelon Konkiewitz (Universidade Federal de Grande Dourados – UFGD), na sessão I, do painel “Technological scenarios and projects in education for tomorrow: technology, innovation, and teaching-learning”, durante o XVI Congress of Brazilian Studies Association (BRASA), [online], Georgetown University – Evento bilingue (inglês/português).

COMO CITAR ESTE VÍDEO (ABNT): KONKIEWITZ, Elisabete Castelon. Multimídia e pandemia como promotores de transformação cerebral. Ciências e Cognição [Youtube], 02 de abril de 2022. Disponível em: https://youtu.be/e1VcSyaD3mk

RESUMO: A pandemia Covid-19 e o papel da multimídia no cotidiano conferem ao homem contemporâneo um perfil inédito na história. Esses elementos estão intrincados em diversos níveis, promovendo transformações no comportamento, na mente e no cérebro ainda a serem investigadas. Penetraram e redefiniram formas tradicionais de entretenimento, ensino e socialização. Educação à distância, videoconferências, telemedicina são apenas alguns exemplos de recursos rapidamente incorporados ao cotidiano das pessoas. As mídias sociais redefiniram a apresentação da subjetividade e a vinculação em grupos. A pandemia tornou os recursos audiovisuais e multimidiáticos tão fundamentais à nossa sobrevivência quanto os serviços essenciais. A multimídia demoliu barreiras e possibilitou um grau de difusão de conteúdos e de interação de subjetividades antes inconcebível. Sob esta perspectiva, é uma ferramenta de democratização e igualdade, assim como é libertadora em termos expressivos. A plateia é também o ator. Todavia, traz desafios, como as fake news exacerbando a ansiedade e insegurança já acentuadas pelo cenário pandêmico. Mais instigante é refletir sobre as possíveis consequências cognitivas e emocionais da exposição contínua a uma enorme quantidade de conteúdos não selecionados. O cérebro do homem contemporâneo é inundado e impelido a desenvolver habilidades de processamento rápido e simultâneo. Mas até que ponto estamos neurobiologicamente preparados para isto? Ao mesmo tempo em que está sobrecarregado, o homem moderno também está desprovido de oportunidades de exercício de contato, sociabilidades e tempo para a análise crítica e ponderação. As inovações tecnológicas não pedem a permissão para se introduzir. Simplesmente invadem e se instauram em nossas vidas. O chamado é para observação atenta, debate e experimentação de possibilidades. O cérebro é plástico, responde com mudanças neuroquímicas e estruturais ao ambiente, estando comprovado que estas mudanças acontecem também ao nível genético, alterando os genes e sua expressão para as próximas gerações. As experiências moldam o cérebro e os genes não apenas de quem as viveu, mas também de seus sucessores. Assim, é plausível supor, no contexto da radical transformação social que a multimídia e a pandemia representam, que já estejam ocorrendo adaptações neurobiológicas que resultarão em um novo Homo sapiens sapiens.

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