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Integrando as ciências da mente, cérebro e educação

Grupo de adultos em uma atividade artística coletiva em torno de uma mesa.

por Elisabete Castelon Konkiewitz

Grupo de adultos em uma atividade artística coletiva em torno de uma mesa.

As doenças neurológicas e psiquiátricas muitas vezes mudam radicalmente a forma do paciente viver e interagir com o seu meio. Por exemplo, uma pessoa que sofreu um AVC, ou é portadora da doença de Parkinson pode se tornar incapacitada para o trabalho e por vezes até dependente dos familiares para autocuidado. Transtornos psiquiátricos alteram o comportamento e frequentemente a capacidade de raciocínio, concentração e aprendizado.

Grupo reunido em torno de uma mesa com papéis e materiais de arte.

Assim, o tratamento na neuropsiquiatria envolve não apenas a medicação, mas também orientação detalhada e contínua do paciente e dos seus familiares, como diversas formas complementares de ajuda na reestruturação da sua vida e da sua identidade com a doença.

Capa do livro Neuro Adventure: Autism, Art, and the Brain, com imagem colorida e texto em inglês.

Na arteterapia, a arte é usada como um veículo que possibilita a superação de dificuldades, sejam elas motoras, cognitivas, sociais, ou emocionais. O objetivo não é a qualidade do produto final, não se trata de educação artística.

Mulher acompanha uma pessoa idosa sentada à mesa durante uma atividade de pintura.

O foco está no processo de cada sessão. Em primeiro lugar, a arteterapia possibilita um espaço protegido, previsível e organizado, onde o paciente poderá escolher sua forma de expressão, livre da necessidade de comunicação verbal e livre de julgamentos como certo, ou errado, adequado, ou inadequado, lógico, ou incoerente. Isto lhe permite entrar em contato com os seus sentimentos por uma via não intelectual, mais intuitiva, sem a busca por explicações, o que reduz o medo e a ansiedade.

Grupo em torno de uma mesa pinta e desenha durante uma atividade de arte.

O terapeuta intervém de forma indireta, através da atividade e dos materiais sugeridos, ou colocados à disposição. Eventualmente ele pode verbalizar aquilo que percebe no paciente, ou participar da atividade criativa, num jogo cooperativo, ou simplesmente ser uma presença estabilizadora. A relação de confiança vai se consolidando através da atividade artística, que é um elemento que o grupo compartilha. As técnicas são muito variadas, abrangendo recortes, colagens, modelagem em argila, pintura, etc.

Duas mulheres trabalham juntas em uma atividade artística com papel e materiais coloridos.

A arteterapia também pode ajudar a tolerar dividir um ambiente
com outras pessoas, ajudando pessoas com fobia social, agorafobia, depressão,
espectro do autismo, dentre outras situações.

O processo criativo exige elaboração, planejamento e foco, podendo assim ajudar o paciente a se organizar mentalmente. Escolher o material a ser utilizado, o local onde trabalhará, a disposição das ferramentas, a forma de trabalho e o objetivo são etapas importantes e significativas. A finalização do produto é um resultado concreto que lhe propicia a experiência prazerosa de uma ação estruturada e voltada para uma meta. É a prova de que, apesar da doença, a pulsação de vida supera e redefine os potenciais humanos.

Fachada de um instituto de neuropsiquiatria e medicina integrada, com placa identificando a instituição.

Elisabete Castelon Konkiewitz

Foto

Graduada em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) em 1993 e doutora em Neurologia pela Technische Universität München (Alemanha) em 2002. Possui título de Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria e título de especialista em Neurologia pela Academia Brasileira de Neurologia. Desde 2008 é professora associada da Faculdade de Ciências da Saúde na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), onde também é parte do programa de pós-graduação. Sua pesquisa é voltada para os efeitos do vírus HIV no sistema nervoso central e as relações entre trauma na infância, memória traumática, depressão, neuroinflamação e infecção pelo HIV. Publicou alguns livros na área de neurodesenvolvimento e aprendizado, dentre eles Altas Habilidades/Superdotação, Inteligência e Criatividade – Uma Visão Multidisciplinar, laureado com o prêmio Jabuti em 2015; Autism Spectrum, Creativity and Emotions: A New Point of View Through Camila Falchi?s Work e Neuroadventure: Autism, Art and the Brain.

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