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Integrando as ciências da mente, cérebro e educação

Letras plásticas coloridas ao lado de cartões com palavras e imagens.

Nota editorial (2026-10-03): texto de 2017, com correções pontuais da definição, das escritas e de simplificações cerebrais. Os sinais listados não substituem avaliação individual. O vídeo indicado não foi avaliado nesta revisão.
O termo dislexia foi empregado por Rudolf Berlin em 1887 para caracterizar crianças com dificuldades de leitura e escrita. A dislexia envolve dificuldades persistentes na leitura de palavras e/ou na ortografia, com manifestações heterogêneas; uma discrepância entre QI e leitura não é requisito diagnóstico. Entretanto, a necessidade de exclusão de déficit intelectual vem sendo contestada e cedendo lugar para a ideia de que a dislexia pode também acontecer em crianças com prejuízo intelectual.

Como ocorre a alfabetização?

O nosso alfabeto é fonêmico, ou seja, os símbolos gráficos não remetem a significados, mas a unidades sonoras. Por isso, a aquisição da leitura e da escrita nesse alfabeto exige que a criança tenha uma clareza sobre as diferenças entre os sons, mesmo as diferenças mais sutis, como entre m e n, p e b, t e d, c e g.  Uma vez tendo o “ouvido consciente” , ela então deve aprender as correspondências entre as letras (grafemas) e os sons (fonemas).

 

Tabela em preto e branco com linhas de símbolos e figuras organizados em células.
Acima, hieróglifos egípcios: esse sistema combina sinais fonéticos e semânticos, não sendo uma escrita puramente de ideias. Correção editorial (2026-10-03), por cotejo da descrição da Pedra de Roseta no British Museum.

 

Tabela de caracteres chineses acompanhados por palavras em português, disposta em quatro colunas.
Acima, caracteres chineses (hanzi; também utilizados como kanji no japonês). A leitura envolve informação ortográfica, fonológica e semântica; não se caracteriza pela ausência de processamento dos sons. Correção editorial (2026-10-03), conforme Perfetti, Liu e Tan (2005).

 

Tabela do hiragana com caracteres japoneses e suas transliterações em letras latinas.
Hiragana japonês como exemplo de silabário (com unidades moraicas): aqui os símbolos visuais não têm nenhum significado e não correspondem a nenhum objeto. eles correspondem aos sons da língua falada. Para ler e escrever, a criança precisa aprender correlação entre os sons e as letras (correlação grafo-fonêmica).
Tabela com nomes e formas minúsculas e maiúsculas de letras gregas.
Alfabeto grego como exemplo de alfabeto fonêmico: aqui os símbolos visuais não têm nenhum significado e não correspondem a nenhum objeto. eles correspondem aos sons da língua falada. Para ler e escrever, a criança precisa aprender correlação entre os sons e as letras (correlação grafo-fonêmica).

 

Infográfico intitulado Disléxicos Famosos, com retratos e nomes; a imagem não comprova diagnósticos individuais.
Alfabeto romano como exemplo de alfabeto fonêmico: aqui os símbolos visuais não têm nenhum significado e não correspondem a nenhum objeto. eles correspondem aos sons da língua falada. Para ler e escrever, a criança precisa aprender correlação entre os sons e as letras (correlação grafo-fonêmica).

 

Ler significa interpretar símbolos gráficos. Ao contrário da linguagem verbal, a leitura não é um processo natural. As crianças não aprendem a ler automaticamente, necessitando ser ensinadas.

Várias áreas precisam ser ativadas para que a leitura possa ocorrer:

  1. Direcionamento da atenção (atenção seletiva) com ativação do córtex pré-frontal
  2. Percepção visual dos símbolos gráficos com ativação do córtex visual primário.
  3. Integração entre redes visuais e de linguagem durante a leitura, sem um único ponto obrigatório de tradução das letras em sons
  4. processamento fonológico e semântico em redes distribuídas, sem atribuir todo reconhecimento de significado a uma única área

Ilustração lateral do cérebro com áreas coloridas e rótulos sobre processamento fonológico, significado da palavra e identificação das letras.

 

Para aprender a ler uma criança necessita primeiramente perceber que as palavras são compostas por unidades sonoras chamadas FONEMAS, o que normalmente ocorre entre os 4 e os 6 anos de idade. A criança precisa conseguir reconhecer pela audição essas diferentes partículas que formam a palavra falada. Assim, a leitura exige que se entenda o princípio no qual se baseia o nosso alfabeto: “as letras nada mais são que a representação gráfica dos sons.”

Estudos de grupos identificam diferenças de ativação em diversas regiões relacionadas à leitura, sem um padrão único que diagnostique dislexia em cada pessoa. Nota editorial (2026-10-03): Richlan et al. (2009) analisaram diferenças entre grupos; a definição IDA 2025 não trata neuroimagem como teste diagnóstico individual.

Na maioria dos casos, as crianças mostram não apenas dificuldades com a escrita, mas também desenvolvem uma repulsa à leitura, por ser esta muito difícil. No decorrer dos anos a dislexia acaba diminuindo o rendimento escolar em diversas matérias.

O diagnóstico geralmente é feito no período do ensino primário , existindo para isto testes psicológicos/fonoaudiológicos especiais, todavia, o tratamento não deve esperar o diagnóstico de certeza e sim já ser iniciado na suspeita do problema. Com isso, a criança receberá a ajuda de que necessita para superar as suas dificuldades precocemente e terá melhores chances de boa recuperação, ou compensação.

Sintomas que, quando persistentes e combinados, podem levar à suspeita de dislexia  são:

LEITURA:

·         Muitos erros na leitura em voz alta

·         Leitura de letras, sílabas ou palavras é muito custosa

·         A criança se corrige freqüentemente

·         O texto lido não é compreendido

ESCRITA:

·         Resistência e aversão à leitura

·         Evita a leitura

·         Muitos erros quando copia um texto

·         Muitos erros quando escreve livremente

·         Troca letras visualmente semelhantes (b/d )

·         Troca letras foneticamente semelhantes (m/n; t/d )

·         Deixa de escrever partes de palavras

·         Inverte a ordem das letras nas palavras

·         Textos ilegíveis

·          postura contraída, com excesso de tensão muscular ao escrever

·         dificuldade em respeitar as margens ao escrever

Nota editorial (2026-10-03): enurese, agressividade, hiperatividade e inversões de letras não são, isoladamente, critérios específicos de dislexia; dificuldades de leitura exigem avaliação contextualizada.

COMPORTAMENTO

·         Medo de ir à escola

·         Baixa auto-estima

·         Enurese (perda do controle da bexiga )

·         agressividade

·         pouca motivação

·         dificuldade de concentração

·         comportamento de chamar a atenção ( “engraçadinho”)

·         hiperatividade

·         queixas psicossomáticas (dor de barriga, ânsia de vômito, etc)

Amostra de escrita manuscrita em uma folha, com a marca d’água dislexia.pt; sem nome pessoal visível.
Imagem retirada de: https://dislexia.pt/exemplos/
Folha com um texto manuscrito; não repete a idade ou série indicadas na própria imagem e não mostra nome, escola ou contato legível.
imagem retirada de: http://realidadeescola.blogspot.com.br/2011/03/escrita-de-pessoas-dislexicas.html

TÓPICOS DE DESTAQUE:

A dislexia é frequente, afetando 5% a 20% das crianças escolares.

A dislexia do desenvolvimento não exige uma lesão cerebral adquirida; dificuldades de leitura após lesões constituem outro contexto clínico.

A dislexia é um transtorno permanente por toda a vida. Ele pode ser tratado, mas não curado. A pessoa com dislexia pode conseguir compensar bem as suas dificuldades através de estratégias aprendidas.

Painel intitulado “Disléxicos Famosos”, com retratos e nomes impressos; a montagem apresenta afirmações do material original, sem comprovação individual pela imagem.

Uma criança com dislexia pode desenvolver suas habilidades e ter uma trajetória próspera.

Nota editorial (2026-10-03): omitida a lista de diagnósticos atribuídos a personalidades, cuja documentação específica não foi recuperada. A montagem histórica de personalidades não valida esses diagnósticos.

 

 

 

Fotografia de uma pessoa deitada ao ar livre usando uma câmera fotográfica.
Habilidades visuais variam entre pessoas; dislexia não implica um talento visual específico. Nota editorial (2026-10-03): retirada a generalização não sustentada por fonte específica recuperada.
Fotografia de uma pessoa com capacete de obra segurando uma folha diante de um canteiro de construção.
Habilidades visuais variam entre pessoas; dislexia não implica um talento visual específico. Nota editorial (2026-10-03): retirada a generalização não sustentada por fonte específica recuperada.

Pessoas com dislexia muitas vezes referem cansaço, porque a leitura lhes é muito mais desgastante que para os outros. Freqüentemente as escolas permitem a estes alunos maior tempo para avaliações e trabalhos.

 

 

 

 

A dislexia pode acometer vários membros de uma mesma família. Este fato é sugestivo de um componente genético na origem do transtorno.

O quadro é bastante variável, apresentando diferentes níveis de gravidade

A terapia não é medicamentosa e sim fonoaudiológica e psicopedagógica, treinando a criança em estratégias de correção e compensação. Os pais e os professores precisam  estar bem informados e participar deste processo.

Inicie a terapia o quanto antes. Não se deve esperar por um atraso de dois anos no desempenho de alfabetização. Mesmo antes da certeza do diagnóstico, a criança que apresenta dificuldades deve receber ajuda precocemente.

A terapia visa também aumentar a autoestima e autoconfiança da criança, visando enfocar as suas qualidades e talentos, assim como aumentar a sua motivação. Deve ser, de início, individual e depois, eventualmente, em grupo.

Letras plásticas coloridas ao lado de cartões com palavras e imagens.

Pesquisas indicam que o treinamento precoce da conscientização fonológica pode melhorar o quadro. Esta forma de treinamento lingüístico enfoca a estrutura sonora das palavras. Atualmente existem programas de computador propícios para ajudar a criança a desmembrar as palavras nos seus fonemas. A terapia é realizada por um fonoaudiólogo, que deve trabalhar em equipe com os profissionais da educação, de forma que todos se harmonizem e treinem a criança através do mesmo método.

Fotografia de uma pessoa sentada em ambiente clínico falando em direção à câmera; sem identificador pessoal legível.
Se quiser saber mais, assista ao vídeo: Dislexia- orientações para pais e educadores -por Elisabete Castelon Konkiewitz- canal youtube: https://www.youtube.com/channel/UCrE1N1p5tTnErP5rUA8lrxA
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