Nota editorial (2026-10-03): resenha histórica publicada em dezembro de 2014. A biografia de Oliver Sacks e a formação da resenhista são preservadas naquele contexto; as interpretações e descrições de casos pertencem à leitura da obra, sem estabelecer que todas as pessoas autistas tenham habilidades excepcionais.
Nascido em Londres, Inglaterra, em 1933, Oliver Sacks é um neurologista e professor de neurologia na New York University (NYU). Mais conhecido pelos seus livros, que reúnem histórias de casos da sua longa experiência como médico neurologista, frequentemente Oliver é chamado de “o poeta laureado da medicina”. Seus relatos vão além do simples registro e classificação de distúrbios cerebrais e criam uma identidade neurológica, tornando a investigação científica mais sensível e humana.
Em um de seus livros mais conhecidos, O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, Sacks reúne uma coleção de casos de pacientes lidando com as mais diferentes desordens neurológicas mas que em comum aprenderam a criar sua própria identidade para lidar com as adversidades.
O livro é dividido em quatro partes. Em Perdas, encontramos o caso que dá nome ao livro, contando a história do homem que perdeu a capacidade e a noção do que é um rosto, além de outros relatos de pacientes com perda de memória recente.
Excessos trata dos transtornos em que alguma capacidade mental “transborda”, quando há o exagero de alguma percepção, mas o autor mostra que isso pode vir a somar. É o caso de um músico que usa a Síndrome de Tourette a seu favor, sendo considerado muito talentoso. Em Transportes, o foco é em mudanças no funcionamento do cérebro que criam alucinações ou alterações de percepção, capazes de “transportar” os pacientes de volta para a infância ou criar sonhos tão reais em uma doente terminal fazendo-a sentir como se estivesse voltando para casa, e não morrendo. A quarta e última parte, chamada O mundo dos simples, é, talvez, a mais sensível. Nela, conhecemos pessoas com deficiências intelectuais e capacidades extraordinárias, que possuem um talento incrível para desenhar ou se tornaram verdadeiras bibliotecas musicais. Com muita sensibilidade, Sacks questiona os testes “que só medem deficiências” e o número inimaginável de autistas com dons excepcionais que são negligenciados por ignorância ou descaso.
De maneira fascinante e muito agradável de ler, Sacks nos convida a adentrar o mundo daqueles que enfrentam adversidade por conta de suas alterações neurológicas, nos fazendo imaginar e sentir a vida como eles fazem.
Outras obras do autor:
- Enxaqueca
- Tempo de despertar
- Com uma perna só
- Vendo vozes: Uma viagem ao mundo dos surdos
- Um antropólogo em Marte
- A ilha dos daltônicos
- Tio Tungstênio: Memórias de uma infância química
- Oaxaca Journal
- Alucinações Musicais
- O olhar da mente
- A mente assombrada
Informações sobre a edição: catálogo da Companhia das Letras.


