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Integrando as ciências da mente, cérebro e educação

Capa do livro “Altas Habilidades/Superdotação: Processos Criativos, Afetivos e Desenvolvimento de Potenciais”; traz organizadora, colaboradores e marca da editora impressos.

Trechos do Capítulo do livro- Superdotação-processos criativos, afetivos e desenvolvimento de potenciais. Ângela Rodrigues Virgolim (Org.). Ed. Juruá. 2018

Capa do livro “Altas Habilidades/Superdotação: Processos Criativos, Afetivos e Desenvolvimento de Potenciais”; traz organizadora, colaboradores e marca da editora impressos.

Nota editorial (2026-10-03): excerto histórico de capítulo publicado em 2018; partes omitidas do livro não foram reconstruídas. As cifras epidemiológicas abaixo se referem a comunidades específicas dos EUA em 2010. Hipóteses sobre criatividade e redes cerebrais exprimem a discussão do capítulo, sem prever habilidades individuais ou um perfil universal de empatia.

Introdução

O espectro autista (EA) corresponde a um transtorno neurobiológico do desenvolvimento que se associa a prejuízos de comunicação, de socialização e a um comportamento repetitivo com interesses restritos (American Psychiatric Association, 2013). Atualmente este transtorno tem se destacado principalmente pela sua alta prevalência: em 11 comunidades dos Estados Unidos, aproximadamente uma a cada 68 crianças de oito anos foi identificada com EA no levantamento ADDM de 2010, publicado pelo CDC em 2014. Nota editorial (2026-10-03): população e datas foram esclarecidas conforme o relatório original de 2014, acrescentado nesta revisão; o dado não é uma estimativa atual nem uma medida da prevalência brasileira. Esta taxa é 30% maior que as estimativas de 2008 (1 a cada 88 crianças), 60% maior que as estimativas de 2006 (1 a cada 110) e 120% maior que as de 2000 e 2002 (1 a cada 150). As comparações históricas não permitem, isoladamente, separar as contribuições de reconhecimento, avaliação, práticas diagnósticas e acesso aos serviços para a mudança das estimativas. A escassez de dados brasileiros representativos citados no capítulo não permite concluir equivalência com as estimativas norte-americanas.
A frequência estimada nas comunidades norte-americanas estudadas em 2010, divulgada pelo CDC em 2014, e sua comparação com levantamentos anteriores já seria suficiente para justificar a importância de abordar este tema num livro sobre inteligência, criatividade e altas habilidades, mas, além disso, o EA é por si só fascinante em suas peculiaridades, em sua forma de perceber e de interagir com o mundo. O seu estudo amplia ideias preconcebidas de um comportamento humano padrão, de uma inteligência padrão e de uma criatividade padrão e dá provas de que, de fato, há diversos caminhos cognitivos, afetivos e neurais que não apenas revelam deficiências, mas também vantagens e potencialidades para gerar grandes e belas contribuições ao nosso mundo.
Na realidade, o EA representa um amplo leque com diversas formas de manifestação e de severidade, havendo crianças que não desenvolvem fala oral e outras que levarão como adultas uma vida independente. Tipicamente pessoas do EA são vistas como pouco criativas, uma vez que a criatividade é relacionada à extroversão, busca por novidade, abertura ao diferente, percepção global e integrativa, menos voltada para detalhes, enquanto algumas pessoas do EA são introvertidas, resistentes a mudanças, apegadas à mesmice e tendem a perceber mais os detalhes e menos o todo. Por outro lado, é fato comprovado que muitas pessoas autistas são criativas e até mesmo geniais. Este paradoxo é um convite para revisar a compreensão atual do EA e da própria criatividade. Por quais processos mentais uma pessoa do EA chega a aquisições criativas? Quais seriam os fatores positivos que contrabalançam os seus déficits: traços de personalidade? Influências do meio? Ou poderiam os próprios traços do autismo propiciar a criatividade?…..

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Criatividade no espectro autista Nota editorial (2026-10-03): as hipóteses e a discussão do capítulo foram conservadas. Resultados de grupos não descrevem todas as pessoas autistas, e criatividade e necessidades de apoio são heterogêneas; associações com redes neurais não estabelecem destino individual.
A criatividade e o EA guardam uma relação controversa e ainda pouco compreendida. Como visto no tópico acima, o EA é um transtorno do neurodesenvolvimento associado a diversas dificuldades de comportamento e de adaptação social, porém cada vez mais ganha voz a ideia de que as mesmas diferenças de funcionamento, que causam as dificuldades destas pessoas, também são as bases de muitos dos seus surpreendentes talentos.
À primeira vista, grande parte dos estudos indica limitação da criatividade no EA, com redução da flexibilidade cognitiva, da fluência imaginativa e da originalidade (Craig, 1999). Certamente diversos traços deste grupo se opõem às características de personalidade associadas à criatividade: enquanto traços pró-criativos são flexibilidade, busca por novidade, integração de partes desconexas em um conjunto, extroversão, sociabilidade e empatia, algumas pessoas do EA são inflexíveis, apegadas à mesmice e à repetição, focadas em detalhes, mostram dificuldades de interação social e baixa responsividade emocional. Ademais, do ponto de vista neurobiológico, observa-se que a empatia e a Teoria da Mente (prejudicadas no EA) podem envolver regiões que também participam de processos criativos, ou seja, também se associam à ativação do DMN, o que indiretamente faz supor que a criatividade, por depender da mesma base neuroestrutural, também seja prejudicada no EA. Além disso, Kennedy e colaboradores (2006) encontraram ausência da desativação típica de regiões da rede durante tarefas, em sua amostra (Kennedy,2006). [Precisão editorial,2026-10-03: o contraste tarefa/repouso não demonstra hipoatividade global de toda pessoa autista. O estudo não mediu criatividade, e sua interpretação não permite inferir que o compartilhamento de regiões imponha prejuízo criativo individual.] O prejuízo das funções executivas no EA, comprovado em diversos estudos, é outro fator que provavelmente se antepõe ao desempenho criativo….

O texto integral se encontra como capítulo 9 do livro Superdotação-processos criativos, afetivos e desenvolvimento de potenciais. Ângela Rodrigues Virgolim (Org.). Ed. Juruá. 2018

Cartaz com bloco de texto biográfico, retrato circular, informações profissionais e crédito fotográfico. O texto alternativo não reproduz nome nem números de registro impressos.

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