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Integrando as ciências da mente, cérebro e educação

Reprodução de uma pintura com uma figura cobrindo o rosto, duas figuras ao fundo e faixas onduladas no céu.

Nota editorial (2026-10-03): texto de reflexão clínica da autora publicado em 2019. As metáforas evolutivas e a interpretação psicossocial exprimem sua perspectiva e não uma causa única de todos os casos. Uma crise de pânico isolada não equivale necessariamente a transtorno do pânico; o diagnóstico requer avaliação e exclusão de outras causas conforme o quadro.

De repente, surge uma sensação horrível. A garganta se tranca, como se o ar não pudesse mais ser inspirado, o coração dispara, as mãos ficam geladas, a cabeça não consegue pensar. Algo muito sério e ameaçador está acontecendo. Tudo é desespero e desorientação.

Retrato de uma pessoa sorrindo, com cabelos escuros longos, cardigan branco e vestido verde estampado.

Após eternos minutos, talvez até meia-hora, a sensação vai pouco a pouco se esvaindo, como uma tempestade se acalmando. A respiração vai ficando mais tranquila, a mente mais clara e o medo de morrer se reduzindo. Contudo a experiência não pode ser esquecida e restam muitas questões: Qual a razão disso? Como evitar? Quando irá ocorrer novamente? Foi o início de um infarto, ou um AVC? Que médico devo consultar?

Assim é o drama de muitos pacientes que me procuram com o transtorno do pânico. Trata-se de um problema psiquiátrico, no qual o cérebro emite para o corpo um “alarme falso”, como se houvesse uma ameaça iminente, sem que nada de fato esteja acontecendo. Áreas cerebrais associadas ao processamento do medo comandam o sistema nervoso autônomo que por sua vez controla a pressão arterial, os batimentos cardíacos, a frequência respiratória, etc. Nosso corpo é geneticamente preparado para acionar circuitos e sistemas neuroendócrinos que nos permitem escapar do perigo. Por exemplo, na pré-história uma sombra mal definida por trás de uma árvore poderia ser um predador fatal e foi preciso um cérebro capaz de se aperceber imediatamente desse risco e tomar as decisões de enfrentamento, que incluem ativar no corpo o “programa de luta ou fuga”.

Reprodução de uma pintura com uma figura cobrindo o rosto, duas figuras ao fundo e faixas onduladas no céu.

Acontece que os tempos mudaram, hoje as nossas ameaças são de outra natureza, mas o nosso cérebro continua o mesmo. A quantidade de estímulos e informações a serem processadas aumentou enormemente. A alta competitividade social, o desemprego, a pressão para consumir e obter continuamente, a necessidade de se adaptar a arranjos cada vez mais “flexíveis” (mudanças de cidade com perda de vínculos sociais e familiares, mudanças de rotina, imprevisibilidade, moradias inóspitas, horários irregulares), o risco constante de a qualquer momento ficar de fora, marginalizado pelo sistema— tudo isso são mensagens subliminares de ameaça para o nosso sistema nervoso, que geram insegurança e medo. Aos poucos, os recursos biológicos vão se esgotando e um quadro de depressão e de ansiedade pode se instalar. Pessoas com transtorno do pânico podem também apresentar sintomas de depressão.

Nota editorial (2026-10-03): esclarecimento clínico acrescentado nesta revisão, com referência às diretrizes de primeiros socorros AHA/Red Cross 2024. Dor torácica aguda ou sinais de emergência não devem ser atribuídos automaticamente ao pânico; procure atendimento de emergência. É fato que existe uma predisposição genética para o desenvolvimento do transtorno do pânico, mas ele também resulta de fatores psicossociais típicos dos nossos tempos. Uma crise identificada como pânico não permite presumir que qualquer episódio semelhante seja benigno: sintomas cardíacos podem ter outras causas e exigem avaliação médica, sobretudo se forem novos, graves ou diferentes. As crises de pânico são experiências muito angustiantes e podem se repetir.

Não há exames específicos que detectem o transtorno do pânico, assim o diagnóstico se baseia na avaliação pelo psiquiatra. O tratamento pode envolver medicação, medidas psicoterápicas ou ambas, que envolvem entender que a crise de pânico é um alarme falso, aprender a se acalmar diante dela e repensar os fatores de vida que originaram essa situação. Na verdade, a crise de pânico é um alarme falso, mas que avisa sobre algo mais profundo e que realmente está errado nas nossas vidas.

Fachada de um instituto de neuropsiquiatria e medicina integrada, com placa identificando a instituição.
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