Organização Ciências e CogniçãoCNPJ 13.413.391/0001-18

Integrando as ciências da mente, cérebro e educação

Fotografia noturna em preto e branco de uma pessoa caminhando em uma ponte iluminada.

Por Elisabete Castelon Konkiewitz

Fotografia noturna em preto e branco de uma pessoa caminhando em uma ponte iluminada.

Nota editorial (2026-10-03): reflexão histórica de 2019, com expressão e opinião da autora preservadas. Foram delimitadas generalizações causais e recomendações de cuidado conforme o Ministério da Saúde; não é um protocolo individual de crise.
O suicídio é um tema difícil e perturbador. De fato, não há atitude mais radical que tirar a própria vida. É um ponto final sem volta que deixa como herança aos que ficam devastação, ruínas e escombros.

Muitas são as perspectivas sobre esse ato. [Nota editorial (2026-10-03): foram omitidos deste ponto uma generalização sobre tradições budistas e hindus e exemplos de práticas históricas, pois não foi recuperada uma fonte primária que sustentasse essas afirmações e sua caracterização como escolhas nobres ou voluntárias.] Já na tradição cristã, o suicídio foi por muito tempo visto como um pecado mortal, de forma que aquele que o praticasse não tinha direito às cerimônias religiosas e ao enterro junto aos seus familiares.

A abordagem de saúde reconhece o suicídio como um fenômeno complexo e de múltiplas determinações. Transtornos psiquiátricos podem estar associados ao risco e, muitas vezes, não são reconhecidos ou adequadamente tratados. Nota editorial (2026-10-03): a cifra de 97%, sem fonte rastreável neste texto, foi retirada. O Ministério da Saúde descreve o suicídio como fenômeno multifatorial; fatores de vulnerabilidade não são determinantes. Entre as condições associadas estão depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline e dependência química.

O suicídio pode também se associar a outras circunstâncias, como o diagnóstico de doença incurável, falência, desonra, ou decepção amorosa. Em situações de crise, a pessoa pode vivenciar desesperança intensa e ter dificuldade para perceber opções diante de seu problema e de sua dor. A crença de não haver saída por si só já revela um estreitamento cognitivo, ou seja, a incapacidade de enxergar uma situação sob diferentes perspectivas, de fazer concessões a si mesma, de recomeçar, de perceber a transitoriedade da vida, de entender que as constelações se formam e se desfazem e de que nada é definitivo. Esse sofrimento merece acolhimento e avaliação profissional para identificar necessidades de apoio e cuidado.

O que se recomenda às pessoas próximas é que atentem para os sinais de comportamento suicida, como comentários de que a vida não vale a pena, de que seria melhor morrer, ou isolamento, distanciamento, resignação, apatia extrema, venda, ou doação de objetos pessoais, etc. Essas percepções não devem ser disfarçadas, mas ao contrário, diretamente abordadas, ou seja, a pessoa deve ser questionada sobre o motivo de suas mudanças de comportamento e suas falas. Deve ser questionada quanto a estar desejando ou não morrer, se já pensou em tirar a própria vida e se já tem um plano para isso. Em casos de dúvida, procure assistência profissional o quanto antes. Se houver perigo imediato, não deixe a pessoa sozinha e busque atendimento de emergência; com apoio, reduza o acesso a meios letais conforme o risco e o contexto. Nota editorial (2026-10-03): orientação contextualizada conforme o Ministério da Saúde, fonte acrescentada nesta revisão. No Brasil, SAMU 192 e serviços de emergência atendem urgências; CAPS e UBS oferecem cuidado, e o CVV 188 oferece apoio emocional.

Com apoio e tratamento conforme as necessidades de cada pessoa, que pode envolver psicoterapia e/ou medicação, é possível recuperar perspectivas sobre os problemas e a própria vida. Assim, o suicídio é prevenível e é fundamental ter consciência disso e mobilizar toda a sociedade para atitudes simples, porém imediatas que podem salvar milhares de vidas.

Entretanto, pessoas que tentaram suicídio precisam de acompanhamento conforme suas necessidades, pois o risco pode persistir ou retornar em futuras situações de crise. Por isso, num mundo de corpos solitários nas multidões, seja você a diferença e mostre que aquele ao seu lado não está sozinho.

Voltar ao início